A divisão do Piauí

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Sempre que se revela o abandono da região Sul do Piauí, a tese de divisão do estado volta à tona.

Desde o início do século XX a criação do estado do Gurguéia, uma espécie de Piauí do Sul, ganha força momentânea nessas ocasiões de dificuldades para depois voltar ao esquecimento, ao abandono nas gavetas do poder.

A população do Sul desde sempre reclama da situação de abandono a que a região foi relegada.

O Extremo Sul do Piauí é uma região de grande produção agrícola e pecuária.

É uma região que gera impostos, mas mesmo assim é desassistida.

Não recebe de volta os benefícios que precisa e que merece.

A falta de estradas talvez seja apenas a parte mais visível das questões cruciais da região.

Mas a verdade é que a região do Gurguéia não precisa apenas de estradas para escoar sua produção agrícola.

Precisa de muito mais.

Precisa, por exemplo, de energia elétrica de qualidade capaz de movimentar máquinas para que empresas possam se instalar.

Precisa gerar empregos.

Precisa de saúde de qualidade e de hospitais equipados.

Precisa de escola de qualidade, precisa de abastecimento d’água e de saneamento básico.

Precisa disso e de muito mais.

Isso faz com que a população do Sul do Piauí se sinta simples pagadora de impostos.

Faz com que os moradores se sintam vítimas de uma derrama igual àquela da época do domínio português, onde a coroa ficava com todo o ouro e nada devolvia em troca.

Quando alguém defende a divisão do Piauí talvez entenda que, com a divisão, o novo estado teria pelo menos uma estrada de vergonha.

O estado do Gurguéia pode até nascer um estado pobre, mas com certeza hoje não estaria chorando tantos mortos.

Não estaria chorando essas mortes, a maioria delas fruto do descaso e da ausência total do poder público na região.

O ideal é que o Piauí permaneça um só, permaneça um estado único, mas um estado que trate sua população de forma igualitária, sem privilégios para um lado só.

Quem condena a proposta de criação do estado do Gurguéia tem necessariamente que examinar a questão também por esse lado.

Não se trata apenas de dividir a pobreza, de dividir a miséria, como alguns pregam.

A divisão pode até ser benéfica tanto para o Norte como para o Sul.

Para o Norte um alívio, por não ter condições de investir no desenvolvimento do Sul.

E para o Sul porque a região teria sua própria oportunidade de crescimento.

Afinal, não há como acreditar num Sul forte com o tratamento que vem recebendo ao longo dos séculos.

Opinião Jornal da Teresina I Edição (20.06.17)

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