A estrada da morte

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O Piauí inteiro foi surpreendido no fim de semana com mais um acidente na BR 135, no Extremo Sul do estado.

Foram mais nove mortos.

Nove mortos que se somam a outras 28 e que já totalizam 37 vítimas fatais nessa estrada somente em 2017.

É isso mesmo.

De janeiro até agora, quase 40 pessoas perderam a vida na BR 135.

Diante de quadro tão macabro, voltamos a nos questionar.

Até quando?

Até quando vamos ter que conviver com isso?

Até quando vamos ter que conviver com essas tragédias anunciadas?

Até quando vamos permanecer em silêncio?

Até quando nossos senadores, ilustres representantes do Piauí na Câmara Alta do país, vão permanecer nesse silêncio sepulcral?

Até quando nossos deputados federais, ilustres representantes na Câmara Baixa do país, vão permanecer calados?

Ate quando nossos deputados estaduais vão permanecer calados?

Até quando o governador do Estado vai ficar calado?

Não é possível que tanta dor, tantas lágrimas derramadas não consigam sensibilizar ninguém.

Nem mesmo os prefeitos dos municípios da região falam nada.

Será que ninguém enxerga que essa estrada está matando pais e mães de famílias?

Será que ninguém consegue enxergar que jovens – jovens que representam o futuro desse estado e do próprio pais – estão morrendo.

Não podemos mais ficar calados.

Até porque – dizem – que quem cala consente. E nós não estamos concordando com isso.

Nossas autoridades podem até calar.

Nós não.

Precisamos fazer chegar ao poder central o nosso descontentamento com esse estado de coisas.

Precisamos avisar ao governo do país que os piauienses não aceitam mais conviver com esse descaso.

Descaso secular, aliás.

Mas é um descaso que ceifa vidas, que destrói famílias inteiras e que não pode ficar por isso mesmo.

O Piauí precisa fazer valer seus direitos.

Nenhum outro estado do Brasil é tratado com tanto descaso pelo poder central.

O Piauí continua como o patinho feio da nação, como o filho enjeitado cuja paternidade ninguém quer assumir.

Mesmo como os filhos feios e enjeitados da Nação, temos os nossos direitos.

O governo de Brasília sabe disso, embora continue a nos desrespeitar.

Temos que fazer valer nossos direitos.

Alguém tem que ser responsabilizado pelo que ocorre nessa estada federal que corta o estado.

A política do amém, adotada há  séculos pelos nosso políticos nunca trouxe nada de proveitoso para o Piauí.

Precisamos mudar essa política.

Precisamos trocar a política da subserviência por uma política de respeito.

Precisamos nos impor.

E bajulando –  todos já viram – parece não ser  o melhor caminho.

Opinião Jornal da Teresina I Edição (19.06.17)

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