A história se repete

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A história se repete?

O raio cai duas vezes no mesmo lugar?

Segundo Marx, a história se repete, sim.

A primeira vez como tragédia, a segunda como farsa.

Há, no entanto, os que acreditam que a história nunca se repete.

Quanto ao raio, os estudiosos garantem que ele cai sim até mais de duas vezes no mesmo lugar.

É bom não confiar.

Isto posto, vamos ao que realmente interessa.

Em seu primeiro pronunciamento após a revelação do grampo da JBS, o presidente Michel Temer garantiu que não vai renunciar.

Temer disse em alto e bom som, com firmeza, que não comprou o silêncio de ninguém.

Isso faz lembrar Nixon, aquele presidente americano que renunciou em 1974 – o único até hoje a renunciar ao mandato de presidente dos Estados Unidos.

Acuado, antes de renunciar Nixon também fez um discurso em que proclamou inocência. “Não sou um ladrão”.

Em outra passagem do seu discurso, Temer, disse a frase mais repetida no noticiário, posteriormente:

“Não renunciarei. Repito, não renunciarei. Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos.”

Nixon também dizia: “Em todos os meus anos de vida pública, nunca obstruí a Justiça. E dou boas-vindas a essa investigação”.

Temer foi até mais além, no último ponto: “Exijo investigação plena e muito rápida”.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, a canção de cisne do americano aconteceu oito meses antes de sua renúncia.

A depender da convicção e do amontoado de expressões faciais crispadas, de revolta, apresentados por Michel Temer durante seu curto discurso, a agonia também poderá se prolongar por aqui.

E prossegue a Folha:

Foi um Temer desconhecido ou talvez só conhecido por quem o viu, longe no passado, em algum tribunal do júri.

Estava indignado, com a voz transtornada, em revolta contra a injustiça que praticam contra ele, em especial com a recusa do Supremo Tribunal Federal em liberar o áudio da conversa que poderia permitir defesa mais adequada.

O áudio saiu logo após o pronunciamento, tornando sem sentido sua suposta lembrança do diálogo, de que o empresário teria falado que auxiliava a família de Eduardo Cunha.

Na verdade, a divulgação da gravação trouxe novos constrangimentos a Temer, como os relatos de obstrução da Justiça ou a promessa de apoio no Ministério da Fazenda.

Seu discurso, mais do que à nação, havia sido aos agentes econômicos, com uma ameaça subliminar de que, sem ele, a pouco convincente recuperação da economia brasileira vem abaixo.

A situação do presidente Michel Temer continua no mesmo patamar de ontem.

É uma situação extremamente grave.

E a sua insistência em permanecer no cargo certamente que provocará novos desdobramentos.

Desdobramentos que poderiam ser perfeitamente evitáveis.

Opinião Jornal da Teresina I Edição (19.05.17)

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