Povo clama por justiça

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(*) Domingos Bezerra Filho

A violência, que tem origem na natureza humana, até como instinto de defesa, proteção da propriedade particular, da família, dos entes queridos etc,etc, etc, evoluiu para a criminalidade insuportável dos tempos modernos. Indiscutivelmente, tal evolução, patrocinada pelo uso cada vez maior de entorpecentes, resulta da impunidade.

Senão vejamos: se você observar o crescimento, nos últimos anos, dos assassinatos de mulheres, de homossexuais, de políticos, de empresários, de gente pobre também, todos com motivações as mais diversificadas, notará que tais crimes recebem o incentivo da impunidade.

Mesmo que haja julgamento, em muitas situações, os criminosos, os assassinos, são condenados, mas a lei lhes confere o direito, passado algum tempo, de voltar à liberdade, não repondo, por ser isto impossível, a vida àqueles que mandou para o outro mundo.

Ora, no Brasil, a pessoa condenada só permanece no presídio por, no máximo, 30 anos, mesmo que seja condenada a pena superior. Além disso, as circunstâncias atenuantes podem reduzir o tempo de prisão.

Não queremos entrar no mérito da questão, por demais complexa e que envolve conhecimentos profundos de direito e de filosofia, dentre outras ciências.

Mas é improrrogável admitir que a facilidade com que se mata – e não se paga por isso – no Brasil ajuda o tendente ao crime à sua prática.

Antes se dizia que o Piauí era um estado calmo e que o piauiense era pacato, que este é o melhor lugar do mundo para viver, que quem bebia da água do Parnaíba jamais deixaria ou esqueceria o filho do Sol do Equador, etc, etc. Exageros à parte, o Piauí sempre foi um lugar bom para viver, a despeito de tantas injustiças sociais e econômicas que obrigaram seu povo a viver subjugado por séculos. O estado conheceu, em tempos esparsos na história, alguma rebelião contra os poderosos. No mais das vezes, a paz reinava entre patriarcas e marginalizados, dada a dimensão do poder das famílias patriarcais, donas de latifúndio, de gado e de gente.

Pois bem. Agora, nestes tempos de pesares gerais, o crime virou moeda social com ampla estadia nos escaninhos públicos e privados, ordenando a vida comum sem que o cidadão o saiba, pois apenas segue os ditames legais impostos pelos plantonistas do poder.

Quantos prefeitos, deputados, empresários, jornalistas foram assassinados neste estado sem que os culpados tenham sido punidos?! Não são poucos.

O crime no Piauí tornou-se uma instituição representativa da sociedade. Até parece que para legitimar o direito do poder em detrimento do poder do direito e da justiça. Até parece que para sedimentar no contexto social o domínio da brutalidade, da ignorância, do mandonismo.

Se olharmos para o passado, veremos que não estamos muito distantes dele. Ou melhor, o passado está presente na cultura da violência que se perpetua sem justiça.

É preciso que cultuemos novos hábitos. É preciso que adotemos novas posturas contra a cultura da violência antes que seja tarde.

Melhor falando: antes tarde, já que é tarde, do que junca.

Esta é a ideia, cidadãos e vassalos piauienses.

(*) Opinião de Domingos Bezerra Filho no Jornal da Teresina 2ª Edição de 08.08.17.

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