Cortes no orçamento atrasam ciência e tecnologia

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(*) Domingos Bezerra Filho

Desde a semana passada, a mídia vem tratando dos cortes de recursos – para alguns desmonte -, efetuados pelo governo federal na área da ciência e tecnologia, o que vem preocupando cientistas, obrigados a migrar para outros países.

Matéria publicada no site da BBC Brasil no dia 11, assinada pela jornalista Júlia Carneiro, revela o incômodo. Segundo o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich, os cortes “estão levando a produção científica brasileira a um ‘estado terminal’, interrompendo pesquisas, acelerando o êxodo de cérebros e gerando uma lacuna que ‘vai penalizar o Brasil por décadas’”.

O físico Luiz Davidovich, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, alertou que o corte no orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia e Comunicações em março fez a verba da ciência voltar a patamar de 12 anos atrás.

A redução foi nada mais nada menos do que de 44% no orçamento para 2017, de R$ 5,8 bilhões para R$ 3,2 bilhões. A repercussão internacional deixou cientistas brasileiros “horrorizados”, conforme publicou a revista científica Nature.

“Espanta-me que justamente em uma época de crise tão grave, não se dê atenção à porta de saída da crise, já descoberta por outros países há muito tempo. É pesquisa e desenvolvimento, é ciência e inovação tecnológica. Nós estamos indo na contramão dessa consciência internacional”, disse Davidovich, ao mencionar China, Cingapura, Coreia do Sul e países da União Europeia “como exemplos.”

Segundo o professor, “laboratórios estão sendo forçados a interromper pesquisas por falta de dinheiro, que a fuga de cérebros está se acelerando e que o cenário sombrio é um desestímulo para jovens que cogitam ou poderiam cogitar uma carreira científica.”

Davidovich disse o país pode atrasar uma obra qualquer como uma estrada se estiver em crise, mas não pode atrasar ciência e tecnologia “porque perde a corrida” com outros países e não há como recuperar o atraso.

Não é de hoje isso ocorre no Brasil. E a população não se dá conta dos prejuízos que ela mesma sofre.

As consequências são desastrosas para a educação, para a saúde, para setores variados porque sem investimento em ciência e tecnologia não há inovação e, sem esta o país para no tempo, não acompanha as outras nações, como lembrou o cientista Luiz Davidovich.

É preciso refletir sobre o tema.

Esta ideia, cidadãs e cidadãos piauienses.

(*) Domingos Bezerra Filho

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