Dia do Índio

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Hoje, 19 de abril, é o Dia do Índio.

E índio anda na moda, pelo menos aqui no Piauí.

Contrariando totalmente a história oficial, nos últimos anos começaram a surgir pessoas se autodeclarando índias.

O índio do Piauí ainda é uma espécie de contrabando.

A Fundação Nacional do Índio, a Funai, não reconhece os piauienses como indígenas.

Nem adianta insistir.

Para a Funai, índio do Piauí é só da boca pra fora.

É um índio de araque.

O governador Wellington Dias diz que não.

Diz que índio do Piauí – o próprio governador se declara um deles – é índio mesmo, índio purinho da silva.

Mas, infelizmente, nossos índios servem apena para enfeitar essas solenidades que são realizadas anualmente em homenagem a raça.

O Brasil – que alguém já classificou com o paraíso dos ricos e inferno dos pobres – também pode ser classificado assim quando se trata de sua política indígena.

O Brasil ao longo dos anos voltou sua atenção para os índios da região amazônica, deixando ao abandono diversas nações indígenas que se fixaram mais para o Nordeste.

Lá, algumas poucas tribos foram beneficiadas com imensas áreas de terras, criaram reservas ricas em madeira e até ouro.

Temos verdadeiros barões no mundo dos índios.

Do lado de cá estão os índios pobres.

Para nós sobraram os índios sem terra, sem saúde, sem nada.

São índios que andam mendigando uma bolsa – qualquer que seja a bolsa.

São índios que mendigam até atendimento médico.

O Brasil consegue ser injusto em tudo.

É injusto ao não oferecer à sua população uma vida digna, uma vida com educação, saúde e segurança.

É injusto ao não oferecer oportunidades de trabalho.

É injusto ao querer cortar os poucos benefícios que um aposentado pode auferir ao fim da vida.

É injusto ainda mais porque castiga quem merece ser premiado por ter sobrevivido a tantos dissabores.

O índio, por sua vez, é a parte mais pobre, a parte miserável de toda essa história.

O IBGE, em levantamento feito em 2014, mostra que 3% dos brancos viviam em situação de extrema pobreza. Entre a população negra, esse número passava para 6%.

Já com a população indígena, o número chegava a assustar: 18% de índios no Brasil viviam em situação de pobreza extrema.

A disparidade de renda continuava com mais dados chocantes: 49% dos indígenas e 33% dos negros estavam entre o um quinto da população mais pobre do país.

Do outro lado, o IBGE revelava que 24% dos indivíduos brancos estavam entre os 20% mais ricos do país, comparado a apenas 8% dos negros e 7% dos índios.

Assim, não adianta você querer ter um índio só para chamar de seu.

Os índios querem e merecem uma verdadeira política pública que inclua a todos.

Opinião Jornal da Teresina II Edição (19.04.17)

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