Distritão beneficia ricos e quem tem fama e poder

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(*) Domingos Bezerra Filho

Boa parte dos políticos vem difundindo a ideia de que a reforma política vai mudar de vez a forma de fazer política no Brasil.

É um engano. O país passou por reformas na área desde o princípio da civilização brasileira. Se formos observar com extremo cuidado, desde a chegada de Pedro Álvares Cabral, Pero Vaz de Caminha e seus companheiros navegadores aventureiros.

O Brasil ficou cerca de 30 anos “esquecido” de Portugal, depois que o rei concedeu a ilha de São João (atual Fernando de Noronha) a Fernão de Noronha em 1504 e do fracasso da expedição guarda-costas de Cristóvão Jacques.

Foram ações políticas que o reino português tomou para assegurar a posse da nova terra. Ações político-administrativas entendidas como reformas.

O tempo passou, a colônia virou império e, depois, república, sempre com reformas políticas patrocinadas, boa parte delas, por grupos econômicos e políticos detentores, claro, da liderança social e do poder.

Não tivemos o que poderia ser qualificado como reformas de base, como chamou João Goulart, incluindo os setores educacional, fiscal, político e agrário. Essas reformas, em pouco tempo – pretendia o governo – iriam reduzir a desigualdade social, abrindo oportunidade para a evolução ou o desenvolvimento do Brasil.

Jango enfrentou dificuldade para governar, tal era a com crise econômica e política, e foi deposto por um movimento civil e militar que implantou ditadura que quase não acabou: durou mais de 20 anos, com progressos na tecnologia e outros avanços, mas com retrocesso nas relações políticas e sociais, com censura e mortes de inocentes e de pessoas que lhe constrangia.

Pois bem. Vem aí mais uma reforma. O Distritão, sistema no qual são eleitos os mais votados. Para a maioria do Congresso é a solução imediata, evoluindo em 2022 para o distrital misto. Não será o remédio para a solução definitiva da crise. Vai aprofundar a distância entre o eleitor e o eleito porque favorece os líderes, os ricos, os donos do poder, os famosos. A escolha do mais votado vai distanciar o Legislativo da maioria da população porque o eleitor sofre forte influência do poder financeiro, dos bem-situados na vida, dos famosos, dos que detêm mandato, dos que são populares etc etc etc.

Reforma educacional, científica, sanitária, na segurança e nos códigos que determinam as injustiças sociais o Brasil não produz.

Esta é a ideia, cidadãos e vassalos brasileiros.

(*) Opinião de Domingos Bezerra Filho no Jornal da Teresina 2ª Edição de 10.08.17.

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