Hora de aprender a lição

0

Impossível não voltar a falar em Operação Lava Jato.

Impossível não voltar a falar em corrupção, impossível não falar em desvio de dinheiro público.

Os fatos são teimosos, são insistentes e afloram a cada momento.

A lista secreta do ministro Luís Edson Fachin – que abriga ainda pelo menos duzentas delações premiadas sob sigilo – começa a indicar os caminhos que serão seguidos.

As 25 petições feitas pela Procuradoria-Geral da República incluem mais suspeitas de crimes envolvendo nomes de destaque do PT e do PMDB.

Na lista, estão o ex-presidente Lula, o ex-ministro Antônio Palocci, o senador Edison Lobão, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e o ex-ministro Henrique Eduardo Alves.

Pelo que já se conhece até aqui, o que devemos esperar dessas pessoas nesse novo lote de delações?

Certamente que nada de bom.

Ainda sob sigilo há relatos de pagamentos de vantagens indevidas em nove campanhas eleitorais, num total de mais de 17 milhões de reais.

A atuação de Lula é citada em relação às operações da Odebrecht no Porto de Mariel, em Cuba, e em Angola, em um contrato assinado entre a Odebrecht e a empresa de propriedade de Taiguara Rodrigues, sobrinho da primeira mulher de Lula.

Sob sigilo ainda estão depoimentos sobre a ação de agentes públicos brasileiros para auxiliar a Odebrecht em Cuba.

Lula e Fernando Pimentel, ex-ministro e atual governador de Minas Gerais, teriam atuado a fim de que fossem viabilizadas as obras da companhia no Porto de Mariel.

A certeza da impunidade e a convicção de que o poder jamais lhe fugiria das mãos, com certeza levou a isso.

O homem púbico, via de regra, tende a entender que o seu poder é eterno;

Via de regra tem a certeza de que é imbatível, de que é invencível.

Daí acreditar piamente que pode fazer tudo.

Daí acreditar até que pode meter a mão no dinheiro público impunemente, valendo-se da prerrogativa do foro privilegiado.

Muitos dos que pensavam assim hoje, com certeza, mudaram de opinião.

Um arrependimento tardio sem dúvida.

O homem público – parlamentares incluídos – precisa aprender que os tempos mudaram.

A sociedade, que antes podia entender como normal determinadas atitudes, determinados comportamentos, ;ç.também está mudando.

Hoje a sociedade fiscaliza mais, cobra mais, quer mais resultados.

Falta apenas o político entender que o mandato que o povo lhe confere é uma espécie de procuração para que trabalhe por esta mesma população que representa.

Precisa entender que essa procuração pode ser cassada logo na próxima eleição.

O político é para servir, não para ser servido.

É para defender os interesses coletivos, não apenas para defender os seus próprios interesses.

Finalmente chegou a hora de aprender a lição.

Opinião Jornal da Teresina I Edição (20.04.17)

Deixe uma resposta