Intolerância deve ser combatida

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(*) Domingos Bezerra Filho

A tragédia ocorrida no sábado na cidade americana de Charlotttesville, na Virgínia, é um traço da insensatez do comportamento humano nos últimos anos, mormente nos Estados Unidos, onde o racismo, embora receba carga considerável de repúdio, tem grande incidência social.

O dia violento resultou na morte de três pessoas e mais de 20 machucadas durante a passeata de brancos supremacistas. Qualificada como tragédia por Mike Pense, vice-presidente americano, o conflito na cidade universitária também foi condenado por Donald Trump, que disse que o ódio e a intransigência levados às ruas não serão aceitos.

A violência dos grupos neonazistas, supremacistas brancos, pode se espalhar pelo resto do mundo. Aliás, no Brasil, alguns casos já se registraram.

As ações extremistas ordenadas por grupos perigosos comprometem a paz, ameaçada por outros fatores como as guerras verbais entre os Estados Unidos e a Coréia do Norte, por exemplo.

Ora, dirão os ouvintes, o que isso tem a ver com o Brasil? É claro que esses fatos são isolados, aparentemente, porque não nos atingem diretamente, ou seja, esses acontecimentos não se verificaram no Brasil e não têm relação direta com a realidade nacional brasileira. Entretanto, teoricamente têm tudo a ver com o nosso país. Como dissemos acima, a ação violenta de neonazistas foram narradas na mídia em várias ocasiões.

E o que dizer do racismo latente em 100 por cento – desculpem o exagero – dos nossos patrícios que aflora quando um negro ou uma negra assume um cargo altamente importante na República brasileira? É comum as pessoas se admirarem de tal ascensão, desconfiando da capacidade intelectual da personalidade.

Tomamos como referência a tragédia americana somente para, mais uma vez, bater na tecla contra os preconceitos fortemente presentes no Brasil, principalmente o de raça e cor que carrega e fortalece o de classe ou origem social, o que, além de agredir a pessoa humana em sua natureza divina, cria um apartheid camuflado pela hipocrisia da igualdade legal constante em nossos códigos de conduta estabelecidos pelo Poder Legislativo.

Para ilustrar, lembremos que Pesquisa Mensal do Emprego de 2015 comprovou que “os trabalhadores negros ganharam, em média, 59,2% do rendimento que os brancos ganham, o que também pode ser explicado pela diferença de educação entre esses dois grupos. O levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), constatou que o percentual de negros assassinados no país é 132% maior que o de brancos.”
Esta é a ideia, cidadãs e cidadãos piauienses.

(*) Opinião de Domingos Bezerra Filho no Jornal da Teresina 2ª Edição de 14.08.17.

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