Não temos mais heróis

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21 de abril é o dia dedicado ao alferes Tiradentes.

Num Brasil de péssimos exemplos e tão carente de líderes, é sempre bom falar de Tiradentes, um dos nossos mais importantes mártires.

Tiradentes era o apelido de Joaquim José da Silva Xavier, morto e esquartejado 21 de Abril de 1792, aos 45 anos de idade, por defender e trabalhar pela nossa independência de Portugal.

Àquela época, o brasileiro já não aguentava pagar tanto imposto.

Tiradentes se insurgiu contra isso e passou a trabalhar a causa da independência nacional.

Foi miseravelmente traído por Joaquim Silvério dos Reis; Tiradentes foi preso, enfrentou um julgamento que demorou três anos e foi finalmente condenado à morte na forca.

Foi-se esse tempo em que tínhamos pessoas assim; pessoas que amavam a pátria ao ponto de entregar a própria vida.

Foi-se o tempo em que se pensava na sorte e no destino do vizinho; na sorte e no destino de sua rua, de sua cidade e da própria nação.

Não temos mais esse tipo de gente.

Não temos mais esse herói que, de forma destemida, coloca seu pescoço no laço do carrasco.

Nem mesmo nas histórias em quadrinhos temos mais isso.

Ao contrário.

Hoje, no máximo temos pessoas querendo bancar o Tiradentes com o pescoço dos outros.

Não temos mais lições de civismo, não cantamos mais o hino nacional e a maioria da população sequer ouviu falar em Hino da Independência, outro de nossos grandes símbolos.

Ninguém conhece e por isso não canta mais o Hino à Bandeira.

Aliás, ninguém quer mais saber dos símbolos da pátria.

O mundo de hoje é muito diferente.

No Brasil, ensina-se que ser esperto é uma característica da sabedoria.

Ensina-se que ser esperto é o caminho mais curto para o sucesso e para a riqueza.

Ensinam que é melhor a criança aprender a jogar bola a frequentar a escola;

Ensinam que criança e adolescente não devem mais obediência aos pais.

Ensinam – em nome da chamada vida moderna – que desobediência é uma maneira de viver em liberdade, é uma maneira de ser livre.

E fazem vista grossa quando esses mesmos adolescentes rebeldes se iniciam no uso das drogas.

Realmente não temos mais heróis.

Temos sim pessoas que querem e se locupletam da pátria que deveriam amar.

A verdade é que não temos mais heróis como antigamente.

Não temos mais a quem seguir o exemplo; não temos mais em quem nos espelhar.

Isso é muito ruim.

Temos mesmo que viver dos exemplos do passado, porque dos exemplos atuais devemos todos correr com medo.

Opinião Jornal da Teresina I Edição (21.04.17)

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