O cuidado com as empresas públicas

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No dia 11 de setembro do ano passado, a Folha de S. Paulo publicou editorial analisando a situação das estatais brasileiras, focando na sua ressuscitação.

Diz o texto: “Interrompida a marcha de insensatez que caracterizou a gestão das empresas estatais nos últimos anos, parece iniciar-se uma restauração. Será um longo caminho, em vista do colosso de prejuízos nas duas principais empresas, Petrobras e Eletrobras.
“A Petrobras é a mais vistosa, não só pela rapinagem trazida à luz pela Operação Lava Jato, mas pela deterioração dos processos decisórios, que passaram a responder apenas a ditames políticos, não a orçamentos e custos.

“Em conjunto, as decisões erradas e os danos decorrentes de corrupção já levaram a petroleira a reconhecer prejuízos próximos de R$ 100 bilhões. Nessa estimativa entram desde propinas da ordem de R$ 6 bilhões até reavaliações de projetos que estouraram os orçamentos, como a refinaria de Abreu e Lima e o complexo petroquímico do Rio de Janeiro.

“Há alguns meses, porém, a Petrobras vem obtendo progressos. O principal objetivo de curto prazo é afrouxar o torniquete financeiro. A empresa conseguiu voltar ao mercado internacional e estender prazos de sua dívida em títulos.

“A geração de caixa chegou a R$ 10 bilhões no segundo trimestre, e o plano de investimentos tem sido ajustado para se concentrar na produção em campos capazes de gerar resultados em prazos curtos.

“O plano de desmobilizar ativos não estratégicos de US$ 15 bilhões parece factível. No cômputo geral, a empresa está hoje em posição mais favorável, sem pressa para se desfazer de mais patrimônio.

“Da mesma forma, a Eletrobras padeceu sob o ímpeto intervencionista de Dilma Rousseff (PT), que desarticulou todo o setor elétrico. Foi forçada a investimentos perdulários e a reduções insustentáveis de tarifas. Suas subsidiárias operacionais, onde se concentra o dinheiro, sempre foram alvo da cobiça de políticos em grau de cupidez ainda por estabelecer.

“O resultado foi um prejuízo de R$ 30 bilhões nos últimos quatro anos. Enquanto isso, o país ficou para trás nos notáveis avanços tecnológicos que prometem uma revolução na geração e na distribuição de energia.

“Agora a Eletrobras busca se reerguer. A nova gestão reavaliará o plano de investimentos de R$ 50 bilhões, a estrutura de custos e onde vale a pena vender participações”.

Pois bem, aqui na Chapada do Corisco, várias empresas foram à bancarrota anos seguidos. Banco do Estado faliu. Cepisa faliu. Agespisa faliu, o que ocorreu igualmente com outras empresas de menor monta sobre as quais nem se fala mais.

Temos de aprender que não é mais admissível gerir empresas públicas ao sabor dos governos que entram e saem, alterando suas estruturas financeira, administrativa, legal etc.

É preciso aprender com o setor privado, que, com mais zelo, cuida das suas empresas obrigando-se a, além de cumprir sua função social, dotá-las de rentabilidade e eficiência.

Esta é a ideia, cidadãs e cidadãos piauienses.

Domingos Bezerra Filho

Ponto de Vista – Jornal da Teresina 2ª Edição de 15.02.17

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