Um gesto de grandeza

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O Brasil inteiro está à espera de um gesto de grandeza do presidente Michel Temer.

Por gesto de grandeza entenda-se a sua renúncia ao cargo de presidente da República.

O Brasil inteiro espera a renúncia de Michel Temer.

A nação está ferida e cobra essa saída como o caminho mais curto para a superação pelo menos da parte mais aguda da nova, crise.

A estas alturas não existe mais qualquer dúvida no país de que Michel Temer foi no mínimo cúmplice na compra do silêncio de Eduardo Cunha na cadeia.

As gravações em poder da justiça atestam isso.

Este é, sem tirar nem pôr, o resumo dos acontecimentos embora o vídeo com a gravação desse flagrante ainda não seja do conhecimento público.

Mas o problema de Temer não é só esse.

Um deputado indicado por ele foi flagrado recebendo malas de dinheiro da JBS, entrega essa que foi filmada e rastreada pela própria Polícia Federal.

Como se vê, Temer não tem apenas um problema grave, tem pelo menos dois problemas igualmente graves.

São crimes que foram cometidos quando já estava no exercício do mandato.

Portanto são crimes que podem ser investigados sem os obstáculos impostos pelo chamado foro privilegiado.

E por isso, Temer pode se tornar réu por ação penal no Supremo Tribunal Federal.

Temer pode negar, negar e negar – afinal, muitos estão usando desse recurso.

Temer pode até continuar na presidência, mas será um presidente totalmente enfraquecido, sob investigação e fogo cerrado.

Daqui para a frente será cada vez mais forte o clamor popular pela sua renúncia.

Daqui para a frente também será cada vez mais forte o clamor popular pelo seu impeachment.

Na prática – ninguém esconde isso –  o governo Temer acabou na noite de ontem.

O governo não terá força para mais nada.

A renúncia seria menos dolorosa, seria menos prejudicial para o Brasil do que um longo processo de impeachment.

A renúncia atrapalharia menos o Brasil.

Não é preciso perder muito tempo discutindo isso.

Claro está que quando mais rápido se tomar uma decisão mais rapidamente poderemos voltar à normalidade.

O Congresso Nacional também tem parte nisso.

O Congresso Nacional precisa entender que é parte importante do problema.

Então que aproveite o momento, faça mudanças na lei e antecipe as eleições de 2018.

A população com certeza agradeceria muito este gesto de boa vontade.

Uma eleição indireta para um presidente tampão, como previsto na constituição, também não se apresenta como a solução ideal.

A saída é a realização de eleições gerais já.

Se temos que recomeçar do zero, precisamos de tudo novo.

Precisamos erguer uma nova vida para todos, com uma nova estrutura jurídica, com leis modernas e eficientes.

Com leis que garantam nossos direitos consagrados internacionalmente como acesso à saúde, à educação e à segurança.

Não podemos mais esperar.

Opinião Jornal da Teresina II Edição (18.05.17)

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