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· Caio Rabelo

Centro de Teresina ganha novos fluxos além do horário comercial

Matéria por Bianca Rodrigues 

O Centro de Teresina, tradicionalmente marcado pelo movimento durante o horário comercial, vem ganhando novas formas de ocupação. Música, gastronomia, artesanato e outras atividades culturais ajudam a levar moradores e visitantes à região também à noite e aos fins de semana.

Foto: Cantor Paulo Hard; Samba do Coreto na Feira da Praça; Arquivo pessoal

Um dos projetos que contribuem para essa movimentação é o Boca da Noite, que valoriza artistas piauienses e promove apresentações musicais. No dia 19, o cantor de rap Paulo Hard será uma das atrações.

Para o artista, participar do projeto representa uma conquista pessoal e também para o movimento Hip Hop.

“É muito gratificante, é um sentimento real de vitória, uma conquista muito grande. Ainda mais no meio que a gente está, que é o Hip Hop, onde é tudo mais difícil para a gente poder acessar esse tipo de local. Quando a gente consegue isso, é uma vitória não só para mim, mas para todos os artistas e todo mundo do movimento do Hip Hop”, afirma.

Paulo também destaca a importância de dar visibilidade à produção local e criar referências para novos artistas.

“O Boca da Noite valoriza a nossa cultura, valoriza o artista local. Aqui no Piauí, a gente tem esse mau hábito de sempre olhar para o que é de fora e não perceber o brilho que a gente tem dentro da nossa casa”, explica.

Segundo ele, ver artistas da própria cidade ocupando grandes espaços pode incentivar crianças e jovens a seguirem seus sonhos.

“Se eu ficar só vendo pessoas de fora fazendo algo grande, eu nunca vou achar que um dia posso fazer isso. Quando vejo alguém da minha cidade fazendo algo importante, isso me dá mais garra para tentar, mais confiança e mais fé”, completa.

A ocupação do Centro também acontece aos domingos. Na Praça Pedro Segundo, a feira reúne gastronomia, música e artesanato, transformando o espaço em uma alternativa de lazer e convivência para diferentes públicos.

Leonardo Brasil, proprietário da Iandê Essense, participa da feira com seus drinks e conta que o evento também se tornou uma importante vitrine para seu trabalho.

“O movimento da feira é mais um público familiar. É bom para trazer suas crianças, trazer amigos, para quem quer conversar, quem quer só descontrair. Geralmente, domingo não tem muito lugar divertido para ir, e sempre tem bandas. O foco muito grande também é o artesanato”, conta.

Segundo Leonardo, o que começou como uma oportunidade de divulgar seus produtos acabou criando uma relação de proximidade com os frequentadores.

“Eu só tinha o intuito de mostrar o meu trabalho. Isso foi gerando uma repercussão tão grande que hoje, quando eu chego na feirinha, as pessoas já estão me esperando lá no local e ainda me cobram quando eu não vou”, afirma.

Ele também destaca a diversidade do público que frequenta a praça.

“Quando está muito movimentado, as pessoas começam a se encontrar mais na P2. Vem de todos os bairros, até de Timon, e se juntam aqui e transformam isso num sistema mais cultural”, completa.

A movimentação em horários alternativos mostra que o Centro pode ir além da função comercial. A presença de artistas, feirantes, artesãos e visitantes amplia as possibilidades de uso dos espaços públicos e fortalece a região como ponto de cultura, lazer, convivência e geração de renda.

Com iniciativas como o Boca da Noite e a feira da Praça Pedro Segundo, o Centro ganha novos públicos e novas experiências, mantendo vivo um dos espaços mais tradicionais de Teresina também depois que as portas do comércio se fecham.

Categorias: Cultura