Expectativa é de maior circulação de produtos europeus no mercado nacional e redução gradativa de preços em diversos itens de consumo
Matéria de Júlia Castelo Branco.
Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia se aproxima da conclusão e deve trazer mudanças significativas para o bolso dos brasileiros.
Vinhos, queijos, lácteos, azeites, chocolates e bebidas destiladas estão entre os itens que podem ficar mais acessíveis ao longo do tempo, impulsionados pela diminuição de tarifas alfandegárias.
Segundo a professora de Relações Internacionais da Unifesp, Regiane Bressan, os consumidores devem ser os primeiros a sentir os efeitos, com maior oferta e valores mais competitivos de produtos tradicionais da UE.

Foto: REUTERS/Reprodução G1.
Porém, a queda de preços deve ocorrer de forma gradual. No caso dos automóveis europeus, por exemplo, a tarifa atual de 35% deverá ser zerada em até 15 anos, o que tende a baratear esses veículos, embora fatores como cadeias globais de produção possam retardar esse impacto.
Além dos produtos de consumo, medicamentos e insumos farmacêuticos, que já representam mais de 8% das importações brasileiras vindas da UE, também devem ter custos reduzidos.
O acordo não beneficia apenas o consumidor final: ele deve influenciar diretamente a produção nacional, com acesso mais barato a tecnologias e equipamentos, favorecendo investimentos em modernização.
Para o agronegócio, a eliminação de tarifas pode diminuir custos de máquinas, tratores, fertilizantes e tecnologias de precisão, fortalecendo a competitividade do setor. O mesmo vale para a indústria, que poderá importar mais bens manufaturados e equipamentos avançados.
As exportações brasileiras também podem ganhar impulso, especialmente em produtos como calçados, frutas e itens agrícolas. Em 2025, o Brasil exportou US$ 49,8 bilhões para a UE, enquanto o bloco europeu enviou US$ 50,3 bilhões ao país.
Embora haja a possibilidade de alta de preços internos em alguns produtos mais exportados, especialistas avaliam que o impacto inflacionário deve ser limitado.
Paraeos especialistas, o saldo tende a ser positivo para o consumidor e para a economia, ainda que os benefícios não sejam automáticos nem iguais para todos os setores, variando conforme a estrutura de tarifas e o nível de adaptação de cada área produtiva.
Fonte: G1.