Carla Gabriele Rodrigues superou a falta de acessibilidade e debateu a superlotação carcerária em sua monografia
A estudante Carla Gabriele Rodrigues se tornou a primeira aluna com cegueira total a receber nota máxima no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do curso de Direito da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), no Campus Professor Barros Araújo, em Picos, no Centro-Sul do estado.
O trabalho foi apresentado no dia 16 de junho e teve como tema a superlotação do sistema carcerário. Embora tenha alcançado o resultado máximo na avaliação, Carla ainda não concluiu a graduação. Ela está prestes a iniciar o décimo e último período do curso, já que a apresentação do TCC em Direito ocorre durante o nono semestre.
A escolha pela carreira jurídica surgiu enquanto a estudante cursava Administração no Instituto Federal do Piauí (IFPI). Segundo Carla, o contato com uma disciplina voltada ao Direito despertou o interesse pela área e motivou a mudança de trajetória acadêmica.
A produção da monografia, no entanto, foi um dos maiores desafios enfrentados ao longo da graduação. Em entrevista ao g1, ela destacou que a falta de acessibilidade ainda é uma realidade nas instituições de ensino, tornando o percurso mais difícil para estudantes com deficiência visual.
“Minha trajetória é repleta de conquistas, mas também de desafios. Não foi fácil, mas eu sempre me mantive firme em busca desse propósito, que é a minha formação”, afirmou.

Foto: Reprodução/Ascom Uespi
A universidade informou que os TCCs do curso de Direito são desenvolvidos individualmente. Durante a graduação, Carla contou com o apoio pedagógico do bolsista Raislúcio Leal, criador do projeto “Voz Ativa”, iniciativa que transforma livros científicos em audiolivros narrados para ampliar a acessibilidade aos estudantes.
De acordo com a Uespi, o projeto foi apresentado ao coordenador do curso, professor Alekssandro Souza Libério, e posteriormente aprovado pelo colegiado.
Carla também ressaltou a importância do apoio recebido de professores e colegas ao longo da graduação. Para ela, a conquista representa a realização de um sonho e reforça que a inclusão no ensino superior é possível quando há suporte adequado.
“O sentimento é de muita gratidão por tudo. Conseguir chegar até aqui é uma felicidade que não dá para explicar”, disse.
A estudante espera que sua trajetória inspire outras pessoas com deficiência a acreditarem na educação como ferramenta de transformação. “Todas as dificuldades e barreiras podem ser superadas. Quando se tem vontade, apoio e pessoas dispostas a ajudar, é possível tornar esse objetivo realidade”, concluiu.
Fonte: G1 Piauí