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Movimentos protestam contra “embranquecimento” de Esperança Garcia em peça

A produção do espetáculo foi procurada pela reportagem da Teresina FM, mas ainda não retornou o contato

Publicado por: Lilian Oliveira 12/10/2021, 16:30

A peça teatral “Uma Escrava Chamada Esperança” será encenada hoje no Theatro 4 de Setembro, às 19h30. No entanto, a escolha da ex-BBB e atriz piauiense, Gyselle Soares, para interpretar a protagonista, Esperança Garcia, uma mulher negra, causou desconforto no movimento negro do Piauí.

Gyselle Soares (Foto: Tibério Hélio / Divulgação)

Em entrevista ao JT2 da Teresina FM, nesta terça-feira (12), Halda Regina, presidente do Instituto da Mulher Negra, disse que é incoerente, no sentido pedagógico e político, uma mulher de pele clara interpretar Esperança Garcia. 

Ela ressaltou que ninguém está sendo contra ou tentando censurar a atriz, a arte e a cultura. “O que a gente quer fazer é um ato político manifestando que, nós não concordamos que alguém que não seja negra, interprete uma mulher negra”, disse.  

Halda Regina, presidente do Instituto Ayabás (Foto: Reprodução/ Instagram)

De acordo com Halda, Esperança Garcia é uma grande referência para o Brasil e para o mundo. Destacou ainda que mulheres e crianças negras se espelham na mulher que teve a coragem de denunciar que sofria maus tratos.  

Descrição de Esperança Garcia (Foto: Reprodução/EDUFPI/OAB-PI)

A manifestação será pacífica e acontecerá meia hora antes do início da peça. A produção do espetáculo foi procurada pela reportagem da Teresina FM, mas ainda não retornou o contato. 

Esperança Garcia 

No ano de 1770, Esperança Garcia escreveu uma carta ao governador do Piauí que a fez ser reconhecida, em 2017, como a primeira advogada do estado pela seccional piauiense da OAB. Ela relatou no texto os diversos maus tratos que sofria do administrador da fazenda em que vivia. Leia a carta: 

“Eu sou uma escrava de Vossa Senhoria da administração do Capitão Antônio Vieira do Couto, casada. Desde que o capitão lá foi administrar que me tirou da fazenda algodões, onde vivia com o meu marido, para ser cozinheira da sua casa, ainda nela passo muito mal. A primeira é que há grandes trovoadas de pancadas em um filho meu sendo uma criança que lhe fez extrair sangue pela boca, em mim não posso explicar que sou um colchão de pancadas, tanto que cai uma vez do sobrado abaixo peiada; por misericórdia de Deus escapei. A segunda estou eu e mais minhas parceiras por confessar há três anos. E uma criança minha e duas mais por batizar. Peço a Vossa Senhoria pelo amor de Deus ponha aos olhos em mim ordinando digo mandar ao procurador que mande para a fazenda aonde me tirou para eu viver com meu marido e batizar minha filha”

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