25/01/2026

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Paracetamol na gravidez não tem relação com autismo, aponta ampla revisão publicada no BMJ

Estudo britânico reforça consenso científico e desmente alegações que ligavam o medicamento a transtornos do espectro autista

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Publicado por: Beatriz Mesquita 11/11/2025, 13:50

Uma ampla revisão publicada nesta segunda-feira (10) na revista British Medical Journal (BMJ) concluiu que não há evidências científicas que associem o uso de paracetamol durante a gravidez ao desenvolvimento de autismo em crianças. O estudo refuta alegações recentes de que o medicamento poderia representar riscos neurológicos ao feto.

A publicação vai de encontro às declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia afirmado existir uma ligação entre o consumo do analgésico e o autismo  sem apresentar provas.

Imagem ilustrativa de comprimidos de paracetamol (Foto: Getty Images)

“Os dados atualmente disponíveis são insuficientes para confirmar um vínculo entre a exposição ao paracetamol no útero e o autismo, assim como o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade durante a infância”, cita o relatório.

O paracetamol, conhecido comercialmente como Tylenol ou Panadol, é amplamente recomendado como analgésico seguro para gestantes, ao contrário de medicamentos como aspirina e ibuprofeno, que apresentam riscos comprovados ao feto.

Após as declarações de Trump, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reiterou que não existe comprovação de relação entre o uso do paracetamol e o autismo posição agora reforçada pela análise do BMJ.

O artigo não traz novas pesquisas, mas reúne e revisa diversos estudos anteriores sobre o tema, configurando uma chamada “revisão guarda-chuva”  tipo de trabalho que compila dados de diferentes revisões científicas para oferecer um panorama mais preciso do conhecimento disponível.

Segundo os autores, pesquisas que sugeriram uma possível ligação entre o medicamento e o autismo apresentavam qualidade “baixa ou extremamente baixa”, sem controlar fatores como predisposições genéticas ou condições de saúde maternas que poderiam interferir nos resultados.

Os especialistas destacam que a maioria dessas análises não permite estabelecer uma relação direta de causa e efeito. Um exemplo é o estudo publicado em 2025 na revista Environmental Health, frequentemente citado pelo governo norte-americano, que identificou uma correlação, mas admitiu não haver provas de um mecanismo biológico que explique o suposto vínculo.

O professor Dimitrios Sassiakos, especialista em Obstetrícia da University College London, elogiou o novo levantamento. “É baseado em uma metodologia de alta qualidade que confirma o que especialistas repetem em todo o mundo”, afirmou ao Science Media Center britânico.

Com informações do G1

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