19/01/2026

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INSS liberou R$ 12 bilhões em empréstimos no nome de crianças, revela nova gestão

Auditoria interna identificou mais de 763 mil contratos ativos feitos até para bebês; Instituto adota biometria e revisão após escândalo

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Publicado por: Beatriz Mesquita 17/11/2025, 16:47

O presidente do INSS, Gilberto Waller, revelou que mais de R$ 12 bilhões em empréstimos consignados foram liberados em nome de menores de idade. A auditoria interna identificou 763 mil contratos feitos para crianças e adolescentes, alguns até para bebês, expondo um dos maiores escândalos de fraude da história recente do Instituto.

A constatação das irregularidades ocorreu após a chegada da nova gestão ao INSS. Ao revisar os dados dos contratos consignados, a equipe encontrou empréstimos com valores médios de R$ 16 mil liberados para crianças entre 11 e 13 anos. Os contratos eram vinculados a benefícios como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e pensões por morte, que podem ser pagos a menores, mas não deveriam permitir crédito dessa forma.

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A fraude se tornou possível devido à falta de verificação rígida na concessão dos consignados. Instituições financeiras suspeitas não exigiam biometria, aceitavam documentos enviados digitalmente sem confirmação de autenticidade e operavam sem controle adequado. Segundo a auditoria, o excesso de bancos autorizados, mais de 700 facilitou a entrada de instituições sem credibilidade no sistema.

Familiares ou representantes legais das crianças teriam usado os dados dos menores para contratar os empréstimos, que eram descontados diretamente dos benefícios. Em 2025, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União abriram a “Operação Sem Desconto” para investigar o aumento desses descontos, operação que levou à demissão do então presidente Alessandro Stefanutto e do ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi.

Diante do escândalo, Gilberto Waller anunciou uma série de medidas emergenciais. Entre elas estão a implantação obrigatória da biometria facial para novos contratos, suspensão temporária da liberação de crédito, revisão manual dos contratos suspeitos, redução do número de bancos credenciados, agora de 74 para 59, e fim dos descontos automáticos em benefícios. O Instituto também reforçou o processo de desbloqueio do benefício para empréstimos, buscando evitar a repetição de fraudes como as identificadas.

Com informações do UOL

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