Especialistas reforçam que a discussão atual vai além da quantidade de anos vividos
Pessoas idosas no Piauí têm expectativa de viver, em média, 23,7 anos após completarem 60 anos. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e colocam o estado com a segunda maior expectativa de vida do país, atrás apenas do Distrito Federal, onde quem chega aos 60 anos vive, em média, mais 24,4 anos. As mulheres piauienses vivem cerca de 25,3 anos após os 60, enquanto os homens vivem 21,9 anos, diferença de 3,4 anos.

Foto: Reprodução/Congresso em Foco
Apesar do avanço, especialistas reforçam que a discussão atual vai além da quantidade de anos vividos: envolve, sobretudo, como esses anos são vividos.
Em entrevista ao Jornal da Teresina, Segunda Edição, nesta sexta-feira (5), o médico geriatra Ricardo Quirino afirmou que o foco deve ser garantir funcionalidade ao idoso. Isso significa autonomia, independência e capacidade de realizar atividades básicas do dia a dia.
“Longevidade tem relação direta com funcionalidade. Ser idoso tem que ser ser funcional. Não é aquele idoso acamado, dependente. Isso não é vida”, destacou o especialista. Ele ressalta que hábitos saudáveis, movimento diário, acesso à informação e cuidados médicos preventivos são determinantes para um envelhecimento digno.
Mulheres vivem mais porque se cuidam mais
O geriatra explica que as mulheres mantêm, ao longo da vida, um padrão maior de prevenção. Desde jovens, consultam regularmente o ginecologista e acompanham a própria saúde com mais frequência. Os homens, por outro lado, costumam procurar atendimento apenas quando já apresentam algum problema. Essa diferença de comportamento ajuda a explicar por que elas vivem mais.
Além disso, segundo ele, as mulheres também se expõem menos a comportamentos de risco, o que reforça sua vantagem na longevidade.
Acesso ampliado à saúde e à informação impulsiona Piauí
O especialista avalia que o avanço da expectativa de vida no estado é reflexo direto do maior acesso à informação, da busca crescente por prevenção e da facilidade de acesso aos serviços de saúde. Nos últimos anos, tanto na capital quanto no interior, houve aumento de consultas, expansão da telemedicina e maior circulação de conhecimento sobre autocuidado. Ele destaca que esse cenário, somado à redução da mortalidade infantil e da mortalidade entre jovens nas últimas décadas, contribui para o salto atual no número de idosos vivendo mais tempo no estado.
Atividade física é um dos pilares da longevidade
Para o geriatra, envelhecer com qualidade exige movimento. A prática regular de atividade física ajuda a preservar força muscular, prevenir doenças e manter autonomia, fatores fundamentais para uma vida longa e funcional. No Espaço Felicidade, onde atua, ele observa que a maior parte dos participantes é formada por mulheres, reforçando o hábito de autocuidado feminino.