13/01/2026

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Brain Rot: quando o cérebro vira refém do “só mais um vídeo” – Coluna Afonso Morais

Sabe aquela sensação de abrir o celular “por 2 minutinhos” e, quando você vê, perdeu meia hora e ainda saiu mais cansado do que entrou? […]

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Publicado por: Eduardo Calado 19/12/2025, 12:18

Sabe aquela sensação de abrir o celular “por 2 minutinhos” e, quando você vê, perdeu meia hora e ainda saiu mais cansado do que entrou? Pois é. Esse fenômeno ganhou nome, virou assunto sério e — sim — tem pesquisa começando a conectar os pontos: Brain Rot.

Imagem: Reprodução/Internet

“Brain rot” não é um diagnóstico médico com carimbo, mas é um termo que descreve a deterioração (percebida) do estado mental/intelectual, especialmente ligada ao excesso de consumo de conteúdo “trivial” e pouco desafiador, principalmente online. A Oxford University Press colocou o termo no holofote ao elegê-lo como Palavra do Ano de 2024, exatamente por capturar essa ansiedade coletiva com a nossa dieta digital.

E aqui vai a parte que dói: não é só “falta de força de vontade”. É design.

O que o Brain Rot faz, na prática? No dia a dia, ele aparece com cara de:

• Foco frágil (você começa algo e larga em 30 segundos).
• Memória ruim (entra num cômodo e esquece o que ia fazer — versão digital).
• Impulsividade (pega o celular no automático).
• Cansaço mental sem ter feito nada “pesado”.
• Ansiedade e irritação pós-scroll (você fecha o app e fica meio meh).

Pesquisas recentes vêm apontando associações entre consumo intenso de vídeos curtos e piora de atenção, funções executivas (planejamento, autocontrole) e indicadores de saúde mental — especialmente quando vira hábito diário e prolongado.

E atenção: em ciência, muita coisa ainda é “associação”, não sentença definitiva. Mas quando vários estudos começam a apontar para o mesmo lado, o mínimo inteligente é reduzir exposição e aumentar proteção. PubMed

Em crianças e adolescentes, o sinal é ainda mais sensível. Uma pesquisa ampla acompanhando milhares de jovens encontrou relação entre maior uso de redes

sociais e aumento de sintomas de desatenção ao longo do tempo — e isso acende luz amarela pra pais, escolas e plataformas.

Por que vídeo curto “vicia” mais fácil?

Porque ele junta três coisas perigosas:

1. Recompensa rápida (seu cérebro ama atalho).
2. Variabilidade (um vídeo é chato, o próximo é ótimo — isso puxa você).
3. Infinito (não tem fim natural, então você não “encerra”, você “desmaia”).

Some isso com notificações e algoritmos que aprendem o que te prende (às vezes até em temas sensíveis), e pronto: você não escolhe mais o que consome — você “aceita o que vem”. The Washington Post
Prevenção: como escapar sem virar eremita digital

A prevenção realista não é “larga tudo”. É controle de dose e qualidade.

1) Use o celular com começo, meio e fim Entre com objetivo (“vou ver X”) e saia com horário marcado (“até 20:30”). Se não tiver limite, o algoritmo coloca por você.

2) Corte os gatilhos: notificação e autoplay notificação é isca. Autoplay é esteira rolante. Desliga os dois e você já recupera metade do controle.

3) Faça “higiene de atenção”
• 1 hora sem tela ao acordar.
• 1 hora sem tela antes de dormir.
• Blocos curtos (30–60 min) em vez de pingos o dia inteiro.

4) Reabilite o cérebro com conteúdo longo
Leitura, podcast, aula, filme. Não é papo cult — é treino de atenção sustentada.

5) Corpo: o antídoto barato
Sono decente e atividade física são os dois hacks mais fortes pra foco e humor. Doomscrolling, inclusive, já é discutido como hábito que piora estresse e bem-estar. Harvard Health+1

6) Crianças e adolescentes: regra clara + conversa sem moralismo
Não adianta só proibir e sumir. O que funciona é: limites consistentes, curadoria de conteúdo e rotina com alternativas reais (esporte, hobbies, amigos, tarefas).
Fechando na lata

Brain rot é o nome pop de um problema moderno: uma alimentação digital ultra-processada. Dá prazer na hora, cobra juros depois. E, do jeito que as plataformas foram desenhadas, “deixar pra depois” vira “deixar pra nunca”.
A pergunta que vale ouro é simples: você tá no controle do seu tempo… ou alguém tá monetizando ele por você?

Por Afonso Morais – Advogado, especialista em fraudes digitais, CEO do Grupo Morais e host do podcast Falando de Fraudes

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