Levantamento do Projeto Alerta Digital, do Procon, detalha tipos de fraudes, prejuízos e orientações às vítimas
O Ministério Público do Piauí (MP-PI) mapeou os principais golpes aplicados no estado em 2025 e identificou que fraudes como o golpe do falso parente, da falsa central de atendimento, do falso hotel e do falso Pix estão entre as mais recorrentes. Os dados fazem parte do Projeto Alerta Digital, desenvolvido pelo Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon).
De acordo com o levantamento do MP-PI, o golpe do falso parente, praticado principalmente por meio do WhatsApp, foi um dos mais aplicados no estado. Nesse tipo de fraude, criminosos se passam por familiares ou amigos e solicitam transferências de dinheiro, geralmente a partir de números desconhecidos.

Prédio do Ministério Público do Piauí (Foto: Teresina FM)
Somente em maio, esse golpe respondeu por 158 dos 613 casos de fraudes digitais registrados no Piauí, o que representa cerca de um quarto das ocorrências. Segundo o Procon, 58,28% das tentativas partiram de contatos que não estavam salvos na agenda das vítimas. O prejuízo médio foi de R$ 2.200, com registros de perdas que chegaram a R$ 11.700. Os casos ocorreram em 34 municípios, com maior concentração em Teresina. Em agosto, o golpe voltou a liderar as estatísticas, com 127 registros.
Outro esquema recorrente é o da falsa central de atendimento. Em junho, o MP contabilizou 131 casos de fraudes relacionadas a supostos “perigos bancários”. Em cerca de 70% das situações, os criminosos se passaram por funcionários de instituições financeiras. As abordagens envolveram alegações de compras suspeitas, problemas em contas ou aplicativos e ofertas de vantagens. As vítimas foram contatadas principalmente por ligações telefônicas e mensagens via WhatsApp.
O golpe do falso hotel também ganhou força em julho, com a criação de perfis falsos de hotéis, pousadas e casas de temporada no Instagram. Os golpistas utilizavam páginas com aparência profissional, logomarcas clonadas e fotos reais, além de anúncios pagos com promoções muito abaixo do valor de mercado. Após o contato inicial, as vítimas eram direcionadas ao WhatsApp, onde os pagamentos eram solicitados via Pix. O Procon orienta priorizar pagamentos com cartão de crédito e denunciar perfis falsos. Não há dados consolidados sobre o número de casos em 2025.
Já no golpe do falso Pix, os criminosos criam comprovantes falsos em aplicativos que simulam transferências legítimas, induzindo as vítimas a acreditar que o pagamento foi realizado.

Pix é o pagamento instantâneo brasileiro (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
O MP-PI também reforça as orientações para quem cair em algum tipo de fraude. A recomendação inicial é registrar um boletim de ocorrência, preferencialmente em uma delegacia especializada ou por meio eletrônico. Em casos financeiros, é indicado entrar em contato imediato com o banco para tentar bloquear transações. No golpe do Pix, a vítima deve acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), do Banco Central. Também é possível verificar, por meio do sistema Registrato, se foram abertas contas ou realizados empréstimos indevidos em nome da vítima. Em situações de redes sociais clonadas, além do BO, é necessário comunicar a plataforma responsável para tentar recuperar o acesso.