Mais de 350 aves morreram na árvore; especialistas explicam por que os animais não conseguiram fugir
Matéria de Júlia Castelo Branco
Mais de 350 periquitos morreram após a queda de um pé de eucalipto durante uma forte tempestade registrada no interior do Maranhão, na madrugada da última quarta-feira (28). O acidente ocorreu quando as aves descansavam agrupadas na árvore, que tinha cerca de 32 metros de altura, segundo o Ibama.
De acordo com o médico-veterinário e professor da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul), Leonardo Moreira, o elevado número de mortes está relacionado ao comportamento natural da espécie e às condições climáticas no momento da queda.
Periquitos são aves diurnas e evitam voar à noite para reduzir o risco de predação, permanecendo imóveis e aglomerados durante o descanso.

Foto: Ronis Milhomem/Reprodução.
“Provavelmente muitas aves estavam do lado da árvore que tocou o solo primeiro e não tiveram tempo de reagir devido à velocidade da queda”, explicou o veterinário. Ele acrescenta que, horas depois, um grande bando foi visto pousando em árvores próximas, possivelmente formado pelos sobreviventes que conseguiram escapar.
Outro fator determinante foi a chuva intensa. Diferentemente de aves aquáticas, os periquitos não possuem penas com impermeabilização eficiente, mas com as penas encharcadas, as asas perdem sustentação, o que dificulta ou até impede o voo.
Além disso, há risco de hipotermia e maior dificuldade de locomoção em meio a ventos fortes e turbulência. Ao todo, 27 periquitos foram resgatados com vida, mas três morreram durante o transporte de Imperatriz para São Luís, na madrugada desta sexta-feira (30).
Os sobreviventes estão sob cuidados no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama, na capital maranhense.
Segundo o especialista, a escolha de árvores altas para passar a noite está ligada à segurança, e não necessariamente à espécie vegetal.
A proximidade de alimento e água também influencia na escolha do local de abrigo. Alguns periquitos que caíram sem ferimentos graves conseguiram voar após as penas secarem, reforçando que o encharcamento foi um dos principais fatores que impediram a fuga no momento do acidente.
Fonte: G1 MA.