Chancelaria russa pede fim imediato da ofensiva e retomada das negociações; operação militar eleva tensão regional
Matéria de Júlia Castelo Branco
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia condenou os ataques realizados, hoje (28), pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, classificando a ofensiva como “um ato de agressão armada premeditado e não provocado contra um Estado soberano e independente membro da ONU”.
Em comunicado divulgado no Telegram, a chancelaria russa afirmou que Washington e Tel Aviv estariam utilizando preocupações com o programa nuclear iraniano como justificativa para uma possível tentativa de mudança de regime.
Moscou também alertou que a escalada pode provocar uma “catástrofe humanitária, econômica e possivelmente radiológica” na região, além de lançar o Oriente Médio em uma espiral de instabilidade.
O governo russo considerou “inaceitável” o bombardeio de instalações nucleares sob salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica e declarou estar disposto a atuar como mediador para uma solução diplomática.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a ofensiva e afirmou que o objetivo da operação é “defender o povo americano das ameaças do governo iraniano”.
Segundo ele, impedir que o Irã desenvolva armas nucleares sempre foi uma prioridade de sua administração. Trump declarou ainda que os EUA pretendem “arrasar a indústria de mísseis” iraniana e admitiu a possibilidade de baixas militares.

Foto: AP/Reprodução
Explosões foram registradas no centro de Teerã nas primeiras horas da manhã, no horário local. As ações, realizadas por terra e por mar, ocorrem após semanas de negociações entre Washington e Teerã para limitar o programa nuclear iraniano.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, descreveu a ofensiva como um “ataque preventivo” destinado a “eliminar ameaças”. Já o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, foi transferido para um local seguro fora da capital, segundo informações divulgadas à agência Reuters.
Em Israel, sirenes de alerta aéreo foram acionadas em diversas regiões do país diante do risco de retaliação com mísseis. As autoridades suspenderam aulas, recomendaram restrições de deslocamento e fecharam o espaço aéreo para voos civis.
A Embaixada dos EUA no Catar adotou protocolo de confinamento para seu pessoal após o início dos ataques. Paralelamente, Washington reforçou sua presença militar no Oriente Médio, com o envio dos porta-aviões USS Abraham Lincoln e USS Gerald R. Ford, além de outros navios e aeronaves de combate.
Enquanto isso, o Irã realizou exercícios militares conjuntos com Rússia e China e intensificou medidas de proteção e camuflagem de suas instalações nucleares, segundo imagens de satélite.
A escalada aumenta a tensão internacional e levanta temores de um conflito de maiores proporções na região.