12/04/2026

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Brasil revoga visto de assessor de Trump que planejava visitar Bolsonaro na prisão

Decisão foi tomada após negativa do STF para encontro; governo cita princípio de reciprocidade e tensão diplomática com os EUA

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Publicado por: Caio Rabelo 13/03/2026, 16:55

Matéria de Júlia Castelo Branco

O governo brasileiro revogou o visto de entrada no país do assessor do presidente dos Estados Unidos, Darren Beattie, que tinha viagem prevista ao Brasil na próxima semana. A decisão foi tomada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Itamaraty, após a repercussão da tentativa de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso na Papudinha.

A visita havia sido solicitada pela defesa de Bolsonaro, mas foi negada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por autorizar esse tipo de encontro. Segundo fontes diplomáticas, o governo brasileiro aplicou o princípio de reciprocidade, prática comum nas relações internacionais, para justificar a revogação do visto.

Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Beattie só poderá entrar no Brasil quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tiver autorização para viajar aos Estados Unidos.

 

Foto: Reprodução

 

“Aquele cara americano que disse que vinha para cá visitar o Jair Bolsonaro foi proibido de visitar e eu também o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberarem os vistos do ministro da Saúde”, disse Lula. Em agosto do ano passado, os Estados Unidos cancelaram os vistos da esposa e da filha de Padilha, de 10 anos. O visto do ministro não foi revogado porque já estava vencido.

Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que Beattie teria omitido o real motivo da viagem ao solicitar o visto. Oficialmente, a justificativa apresentada foi a participação em um fórum sobre terras raras. Diante da situação, o Itamaraty convocou o encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos.

Ele foi recebido pelo secretário de Europa e América do Norte do ministério, Roberto Abdalla. De acordo com fontes ligadas ao governo norte-americano, apesar da participação confirmada no evento, Beattie pretendia priorizar a visita a Bolsonaro antes de o STF barrar o encontro.

A decisão de Moraes acabou frustrando os planos do assessor de Trump. Mesmo assim, a viagem ao Brasil ainda era cogitada. Durante a visita, Beattie também pretendia se reunir com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e apontado como possível candidato à Presidência da República.

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