15/07/2026

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A nova face das fraudes: inteligência artificial, voz clonada e prejuízo real

Nos últimos meses, a mídia têm escancarado uma realidade preocupante: os golpes digitais deixaram de ser amadores e passaram a operar com nível quase profissional, […]

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Publicado por: Beatriz Mesquita 01/04/2026, 13:31

Nos últimos meses, a mídia têm escancarado uma realidade preocupante: os golpes digitais deixaram de ser amadores e passaram a operar com nível quase profissional, utilizando inteligência artificial, engenharia social e dados vazados para enganar vítimas em larga escala.
Casos recentes mostram vítimas que perderam economias inteiras após acreditarem estar falando com gerentes de banco, familiares ou até autoridades. Em uma das ocorrências, criminosos utilizaram clonagem de voz para simular um pedido de ajuda urgente de um parente, levando a transferências via Pix em minutos.

Outro golpe recorrente envolve falsas centrais de atendimento bancário. A vítima recebe uma ligação informando sobre uma suposta fraude na conta. Durante a ligação, os criminosos induzem a instalação de aplicativos ou a realização de transferências “para segurança”, quando, na verdade, estão drenando os recursos da conta.

Pix é o pagamento instantâneo brasileiro (Foto: Marcelo Casal/Agência Brasil)

O mais alarmante é que esses golpes não dependem mais de erros grosseiros. Pelo contrário: utilizam linguagem correta, dados reais da vítima e até simulações de interfaces bancárias idênticas às originais.

O avanço da tecnologia, especialmente da inteligência artificial, tem sido um divisor de águas nesse cenário. Deepfakes, bots automatizados e scripts altamente sofisticados permitem que um único grupo criminoso atinja centenas de vítimas simultaneamente.
Do ponto de vista jurídico, a responsabilidade das instituições financeiras e plataformas digitais continua sendo tema de intenso debate. O Código de Defesa do Consumidor, em especial o artigo 14, estabelece a responsabilidade objetiva na prestação de serviços, o que abre espaço para responsabilização em casos de falha na segurança.

Entretanto, a velocidade dos golpes ainda supera a capacidade de resposta das instituições. Muitas vítimas enfrentam dificuldades para recuperar valores, especialmente quando as transferências ocorrem via Pix e são rapidamente pulverizadas em contas de terceiros.
A verdade é dura: hoje, qualquer pessoa pode ser vítima. Não se trata mais de falta de informação, mas de um ecossistema criminoso altamente estruturado.

A prevenção, portanto, tornou-se a principal linha de defesa. Desconfiar de urgência, evitar clicar em links desconhecidos, nunca compartilhar códigos ou senhas e sempre validar informações diretamente com canais oficiais são medidas básicas — mas essenciais.
No mundo digital atual, confiança virou ativo de risco. E quem não entende isso, infelizmente, paga o preço.

Como se proteger (para o consumidor)
• Nunca faça transferências sob pressão ou urgência
• Não compartilhe códigos recebidos por SMS
• Evite clicar em links enviados por desconhecidos
• Sempre valide informações diretamente no app oficial
• Desconfie até de contatos conhecidos — podem estar clonados
Por Afonso Morais – Advogado, especialista em fraudes digitais, CEO do escritório ADV. Morais Advogados Digital e criador host do podcast Falando de Fraudes

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