Mães e professores relatam ausência de apoio, superlotação e descumprimento de lei que prevê atendimento adequado
Denúncias de mães e professores apontam falhas estruturais na inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras deficiências em escolas públicas do Piauí. Os relatos indicam falta de profissionais capacitados, salas superlotadas e ausência de suporte adequado para atender estudantes com necessidades específicas.
As queixas ganharam visibilidade após serem compartilhadas nas redes sociais do deputado Franzé Silva (PT), mas os problemas relatados vão além do debate político e expõem dificuldades práticas enfrentadas no dia a dia das escolas.

Falta de estrutura para alunos autistas expõe falhas na inclusão escolar no Piauí (Foto: Reprodução/Internet)
Entre os principais pontos citados está a desproporção entre o número de alunos e o suporte disponível.
“Não sei que inclusão é essa. Em uma sala com 25, 30 ou mais crianças e somente um professor e um apoio de inclusão para, no mínimo, quatro ou mais crianças atípicas. Isso, quando tem apoio na sala”, relatou a mãe Indaína Costa.
Profissionais da educação também questionam a forma como a inclusão vem sendo aplicada.
“Nunca concordei com criança especial em escola regular sem preparação específica. Acho muita exclusão, sem evolução adequada nas atividades. Já vi merendeira ser o cuidador”, afirmou a professora Daniela Souza, apontando situações que indicam improviso no atendimento.
Outro ponto levantado é o modelo de ensino em tempo integral, que, segundo os relatos, não estaria estruturado para lidar com alunos neurodivergentes, o que pode agravar quadros de estresse e dificultar o desenvolvimento das crianças.
As denúncias também destacam a falta de profissionais de apoio, considerados essenciais para o acompanhamento adequado desses alunos, além da ausência efetiva de metodologias específicas. Entre elas, o método ABA (Análise do Comportamento Aplicada), previsto na Lei nº 8.133/2023, que obriga a adoção da abordagem na rede pública estadual, mas que, segundo familiares e educadores, ainda não é aplicado de forma consistente.
Apesar da existência de legislação e diretrizes de inclusão, os relatos indicam um descompasso entre o que está previsto no papel e a realidade enfrentada nas escolas, levantando questionamentos sobre a efetividade das políticas públicas voltadas à educação inclusiva no estado.