Jorge Beltrão, condenado a 71 anos, surge em vídeo pregando dentro de unidade prisional
O detento Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, condenado a 71 anos de prisão pelo caso dos “Canibais de Garanhuns”, voltou a chamar atenção após aparecer em vídeo atuando como pastor evangélico dentro de um presídio em Recife. As imagens, que circularam nas redes sociais, foram gravadas na Penitenciária Professor Barreto Campelo, em Itamaracá, unidade desativada em abril.
No vídeo, o detento aparece identificado como “Pastor Jorge Beltrão”, com um violão nas costas, ao lado de outros homens. Durante a gravação, ele relata que passou a frequentar a igreja ainda em 2012, ano em que foi preso.

Jorge Beltrão Negromonte da Silveira (Foto: Reprodução/TikTok)
“Ele [o missionário] falou para mim: ‘Deus tem algo na tua vida’ e deixou a palavra para mim. Uma palavra muito bonita dizendo que Deus tira as pessoas de um charco de lodo. E esse testemunho que ele deu, logo após, eu já comecei a fazer parte lá da Assembleia de Deus, já comecei a louvar. E sem saber de nada, ele disse: ‘tu vais começar a trabalhar para Deus'”, afirmou.
Em outro trecho, ele declara:
“quem está em Jesus, nova criatura é” e que “as coisas velhas são passado e tudo se fez novo”.
Após a desativação da unidade onde o vídeo foi gravado, Jorge foi transferido para o Presídio Policial Penal Leonardo Lago, no Complexo do Curado, onde cumpre pena.
A repercussão nas redes sociais dividiu opiniões entre descrédito e manifestações de não julgamento.
Procurada, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização de Pernambuco informou que garante assistência religiosa nas unidades prisionais, respeitando a liberdade de crença das pessoas privadas de liberdade.
O crime que ficou conhecido como “Canibais de Garanhuns” foi descoberto em 2012, após a localização de corpos no quintal de uma residência em Garanhuns.
As investigações apontaram que Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, junto com Isabel Cristina Torreão Pires e Bruna Cristina Oliveira da Silva, assassinou vítimas e utilizou carne humana na produção de alimentos vendidos na região.
Segundo a polícia, o grupo integrava uma seita que defendia a “purificação” social por meio da redução populacional.
Em 2018, Jorge e Bruna foram condenados a 71 anos de prisão, enquanto Isabel recebeu pena de 68 anos, todos em regime fechado.