Artigo Por Afonso Morais – Advogado Digital, especialista em fraudes digitais e Recuperação de ativos financeiros judicialmente; confira
A corrida da Inteligência Artificial nos Estados Unidos começou como um verdadeiro “Velho Oeste digital”. Empresas lançavam modelos cada vez mais poderosos quase sem supervisão governamental, enquanto o mercado comemorava inovação em velocidade máxima. Mas isso começou a mudar.
O governo americano está discutindo e implementando mecanismos para que empresas de IA, como OpenAI, Google DeepMind, Microsoft e xAI submetam seus modelos avançados a avaliações de segurança antes do lançamento público.

Donald Trump, presidente do Estados Unidos. (Foto: Reprodução/Internet)
Na prática, os EUA estão criando algo parecido com uma “ANVISA da IA”.
A discussão ganhou força após preocupações envolvendo modelos extremamente avançados, como o “Mythos”, da Anthropic, apontado por especialistas como capaz de encontrar vulnerabilidades críticas em sistemas de cibersegurança em escala inédita. O medo do governo americano não é ficção científica. O foco principal das autoridades é impedir que IAs possam:
• auxiliar ataques cibernéticos;
• automatizar invasões;
• gerar fraudes em massa;
• criar armas biológicas digitais;
• manipular infraestrutura crítica;
• realizar engenharia social extremamente sofisticada.
O Departamento de Comércio dos EUA, através do CAISI (Center for AI Standards and Innovation), já começou avaliações prévias de modelos antes da liberação ao mercado. Segundo dados divulgados, mais de 40 modelos já passaram por análises governamentais. O mais interessante é a mudança de postura política. O governo Trump havia reduzido regulações anteriores ligadas à IA, mas o avanço explosivo dos modelos mais recentes fez a Casa Branca reconsiderar a necessidade de supervisão técnica estatal.
Hoje, autoridades americanas discutem até mesmo ordens executivas para formalizar avaliações obrigatórias antes da liberação pública de determinadas IAs consideradas de “alto risco”.
Além do governo federal, estados americanos também começaram a endurecer regras. Nova York aprovou o “RAISE Act”, legislação que impõe requisitos de transparência, segurança e reporte para desenvolvedores de modelos avançados de IA.
Já a Califórnia criou normas voltadas para modelos classificados como “Frontier AI”, focando riscos catastróficos envolvendo ataques cibernéticos, danos econômicos bilionários e segurança nacional.
Na prática, o mercado americano percebeu uma coisa: não dá mais para tratar IA apenas como software. Ela virou infraestrutura crítica. E aqui está o ponto mais importante: o debate não é mais sobre impedir inovação.
É sobre impedir que uma IA vulnerável, manipulada ou irresponsavelmente lançada coloque milhões de pessoas em risco. Isso muda completamente a lógica da tecnologia.
No futuro próximo, lançar uma IA sem auditoria de segurança poderá ser tão absurdo quanto colocar um avião em operação sem certificação técnica. E existe uma camada ainda mais séria: a guerra cibernética.
Governos já perceberam que modelos avançados podem ser utilizados tanto para defesa quanto para ataques digitais massivos. A IA deixou de ser apenas ferramenta comercial. Ela virou ativo estratégico de segurança nacional.
Enquanto isso, no Brasil, ainda discutimos IA muitas vezes apenas sob o ponto de vista comercial ou de produtividade. Os EUA já estão tratando IA como potencial risco sistêmico. E honestamente?
Eles não estão exagerando.
Porque uma IA insegura pode gerar:
• fraudes em escala industrial;
• deepfakes hiper-realistas;
• golpes automatizados;
• invasões críticas;
• manipulação financeira;
• espionagem corporativa;
• caos informacional.
A era da “IA sem controle” começa a encontrar seus primeiros limites regulatórios.
E isso provavelmente será só o começo.
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Por Afonso Morais – Advogado Digital, especialista em fraudes digitais e Recuperação de ativos financeiros judicialmente, CEO do escritório digital Pardi e Morais Advogados e criador host do podcast Falando de Fraudes.