Teerã afirma que embarcações que tentarem cruzar a rota serão alvo militar; EUA dizem que tráfego marítimo segue normalmente
O governo do Irã anunciou nesta quarta-feira (10) o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das mais importantes rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo. Segundo o alto comando militar conjunto iraniano, qualquer navio que tentar atravessar a região, incluindo petroleiros e embarcações comerciais, poderá ser alvo de ações militares.
Pouco após o anúncio, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou que o tráfego marítimo na área continua operando normalmente, apesar da ameaça iraniana. A medida ocorre em meio à escalada das tensões entre os dois países, após Washington iniciar uma nova série de ataques contra alvos iranianos pelo segundo dia consecutivo.
Em comunicado, o CENTCOM afirmou que as operações militares foram autorizadas pelo presidente Donald Trump e classificadas como ações de autodefesa diante daquilo que chamou de “agressão injustificada e contínua do Irã”.
“As forças do Comando Central dos EUA começaram a lançar ataques adicionais de autodefesa hoje, às 17h15 (horário do leste dos EUA), contra múltiplos alvos no Irã, sob ordens do Comandante-em-Chefe”, informou o comando militar americano.
Após o início da ofensiva, veículos da mídia estatal iraniana relataram explosões nas proximidades das cidades de Minab e Sirik, localizadas próximas ao Estreito de Ormuz. Também houve registros da ativação de sistemas de defesa aérea na cidade portuária de Asaluyeh, na província de Bushehr, importante polo energético do país.
Apesar do acionamento das defesas, autoridades iranianas afirmaram que não houve ataques inimigos diretos contra as instalações energéticas da região, que abriga refinarias e complexos petroquímicos estratégicos.

Foto: Dean Conger/Divulgação National Geographic Brasil
Mais cedo, o presidente Donald Trump declarou que os Estados Unidos continuariam realizando ataques enquanto não houvesse definição sobre um possível acordo com Teerã. Em entrevista à emissora Fox News, o líder americano afirmou ter conversado diretamente com autoridades iranianas, que teriam solicitado a interrupção das ofensivas.
A versão foi negada pela mídia estatal iraniana. Um alto funcionário do governo, citado por veículos oficiais, classificou a declaração de Trump como uma “alegação falsa” e uma tentativa de evitar um conflito mais amplo.
Em resposta, a agência de notícias semioficial Tasnim afirmou que qualquer ação militar americana será respondida de forma decisiva pelas Forças Armadas iranianas, descartando qualquer possibilidade de pressão diplomática por parte de Washington.
O agravamento da crise aumenta a preocupação internacional sobre a segurança da navegação no Golfo Pérsico e os possíveis impactos no mercado global de energia, já que o Estreito de Ormuz é considerado uma das principais rotas para a exportação de petróleo do Oriente Médio.