Cerca de mil animais piauienses teriam passado por frigoríficos especializados na Bahia nos últimos três meses
Jumentos criados no Piauí estão sendo destinados à exportação para a China por meio de frigoríficos especializados instalados na Bahia. Segundo o médico veterinário Reginaldo Veloso, cerca de mil animais provenientes do estado passaram, nos últimos três meses, por unidades baianas habilitadas para o abate e processamento.
Antes do transporte, os jumentos passam por controle sanitário no Piauí, incluindo exames para verificar as condições de saúde. Após o abate, a carne é destinada ao consumo humano no mercado asiático, enquanto a pele é utilizada na fabricação do ejiao, produto tradicional chinês obtido a partir do colágeno da pele do animal.
O ejiao é utilizado há séculos na medicina tradicional chinesa e é associado a tratamentos para problemas como anemia, insônia e irregularidades menstruais. No entanto, não existem comprovações científicas suficientes sobre a eficácia medicinal do produto.

Foto: Getty Images/Reprodução
A expansão desse mercado também provoca preocupações ambientais. Estimativas sobre o número de jumentos no Brasil divergem, com projeções baseadas em dados da FAO apontando mais de 730 mil animais, enquanto organizações não governamentais e pesquisadores defendem que o rebanho teria caído para cerca de 78 mil devido ao abate intensivo.
Em Amargosa, na Bahia, onde funciona um dos principais frigoríficos especializados no abate de jumentos do país, relatos indicam que aproximadamente 1,2 mil animais são abatidos por semana. O cenário alimenta o debate entre a importância econômica da atividade e a necessidade de preservar uma espécie historicamente associada ao sertão brasileiro.