05/09/2026

Geral

Violência de gênero: Casos atingiram 29% das mulheres piauienses em 12 meses

Foram ouvidas 21.641 mulheres de 16 anos ou mais em todo o Brasil entre 16 de maio e 8 de julho de 2025

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Publicado por: Wanderson Camêlo 02/09/2026, 08:35

Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, 29% das mulheres piauienses relataram ter vivido ao menos uma das situações concretas de violência investigadas (embora não tenham declarado espontaneamente ter sofrido violência doméstica ou familiar). Os dados são referentes aos 12 meses anteriores à pesquisa.

O levantamento, recém-atualizado com os resultados por unidade da Federação da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher (realizada pelo DataSenado em 2025), tem propósito semelhante: investigar o problema além das estatísticas oficiais do país. Foram ouvidas 21.641 mulheres de 16 anos ou mais em todo o Brasil entre 16 de maio e 8 de julho de 2025. A pesquisa tem amostra probabilística e nível de confiança de 95%.

Casos de violência de gênero atingiram 29% das mulheres piauienses em 12 meses (Foto: Reprodução/Folha de Pernambuco)

Conforme consta no relatório, “o resultado do estado oscila dentro da margem de erro da estimativa do país (29%), o que não permite classificá-lo como distinto do patamar nacional”.

A análise foi possível devido ao cruzamento de dados — uma das premissas do Mapa Nacional da Violência de Gênero, plataforma mantida pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), o Instituto Natura e a Gênero e Número.

Pesquisa DataSenado

O levantamento realizado pelo DataSenado revela que 26% das piauienses já sofreram violência doméstica ou familiar ao longo da vida e 13% afirmam ter passado por esse tipo de violência nos 12 meses anteriores à pesquisa. Entre as mulheres que declararam ter sofrido violência provocada por um homem, 85% relataram violência psicológica, 82% violência física e 78% violência moral. Em 60% dos casos, o agressor era o marido ou companheiro da vítima no momento da agressão. Do total de vítimas no estado, 18% ainda convivem com a pessoa que as agrediu e 84% dessas moram com o agressor.

Nas situações de violência mais grave, 49% das entrevistadas afirmaram que o agressor estava com ciúmes e 46% disseram que ele estava bêbado. Já para 85% das mulheres que encerraram o relacionamento com o agressor, a violência teve muita influência na decisão. O impacto na vida profissional ou especificamente no trabalho remunerado foi sentido por 37% das vítimas, enquanto 38% disseram que seus estudos foram impactados.

A pesquisa aponta que no Piauí o conhecimento sobre os instrumentos de proteção permanece limitado. Embora 92% das mulheres tenham afirmado conhecer ou já ter ouvido falar da Delegacia da Mulher e 75% do Ligue 180, 61% dizem conhecer pouco a Lei Maria da Penha e 18% afirmam não conhecer nada sobre a legislação. Em relação às medidas protetivas, 67% relatam conhecê-las pouco e 18% afirmam não ter conhecimento sobre o recurso.

A Delegacia da Mulher é o serviço de proteção mais conhecido pelas piauienses, citado por 92% das entrevistadas, seguida pela Defensoria Pública, com 90%, pelo CRAS ou CREAS, com 81%, e pelo Ligue 180, com 75%. Ao mesmo tempo, 64% afirmam conhecer alguma amiga, familiar ou pessoa próxima que já sofreu violência doméstica ou familiar.

Os dados indicam ainda que 83% das piauienses perceberam aumento da violência doméstica e familiar contra as mulheres nos 12 meses anteriores à pesquisa e que 67% enxergam o Brasil como um país “muito machista”.

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