Magistrado anulou processo sobre lavagem de dinheiro e retirou medidas cautelares contra suspeitos de ligação com o PCC.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou o afastamento cautelar do juiz da Central de Inquéritos de Teresina, Valdemir Ferreira Santos, sob suspeita de favorecer judicialmente investigados na Operação Carbono Oculto 86.
Segundo a Corregedoria Nacional de Justiça, o caso envolve um suposto direcionamento judicial para beneficiar réus investigados por suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de postos de combustíveis.
A operação apurou a atuação de uma organização criminosa no ramo e investigou um esquema envolvendo lavagem de dinheiro. O juiz Valdemir Ferreira Santos havia determinado o trancamento do inquérito após denúncia apresentada pelo Ministério Público, além de cancelar medidas cautelares e retirar provas do processo.
A decisão do magistrado anulou a investigação relacionada ao crime de lavagem de dinheiro e teve como justificativa uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que restringiu o uso de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sem autorização judicial.
A Operação Carbono Oculto 86 resultou, em novembro de 2025, no fechamento de 49 postos de combustíveis nos estados do Piauí, Maranhão e Tocantins. Segundo a Polícia Civil, as empresas investigadas teriam movimentado cerca de R$ 5 bilhões em operações consideradas suspeitas.
As investigações apontaram indícios de crimes como sonegação de impostos, comercialização de combustível adulterado e utilização de empresas registradas em nome de terceiros.
Em nota, o Tribunal de Justiça do Piauí informou que recebeu a comunicação do CNJ sobre o afastamento cautelar do magistrado. O TJ-PI afirmou que a decisão foi cumprida, que os serviços jurisdicionais seguem mantidos e que o caso será apurado dentro do devido processo legal.