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Amor e perseguição

6 de dezembro de 2019

“As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas. Mas o amor, na realidade, é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas”.

Segundo a escritora Martha Medeiros, temos a mania de achar que amor é algo que se busca.

Buscamos o amor nos bares, buscamos o amor na internet, buscamos o amor na parada de ônibus…

Como num jogo de esconde-esconde, procuramos pelo amor que está oculto dentro das boates, nas salas de aula, nas plateias dos teatros.

Ele certamente está por ali, você quase pode sentir o seu cheiro, precisa apenas descobri-lo e agarrá-lo o mais rápido possível.

Pelo menos foi isso que lhe ensinaram; ensinaram que só o amor constrói, só o amor salva, só o amor traz felicidade.

Amor não é medicamento.

Se você está deprimido, histérico ou ansioso demais, o amor não se aproximará. Caso o faça, vai frustrar sua expectativa, porque o amor quer ser recebido com saúde e leveza.

O amor não suporta a ideia de ser ingerido de quatro em quatro horas, como um antibiótico para combater as bactérias da solidão e da falta de autoestima.

Certamente você já ouviu muitas vezes alguém dizer: “quando eu menos esperava, quando eu havia desistido de procurar, o amor apareceu”. Claro, o amor não é bobo, quer ser bem tratado, por isso escolhe as pessoas que, antes de tudo, tratam bem de si mesmas.
O amor, ao contrário do que se pensa, não tem que vir antes de tudo: antes de estabilizar a carreira profissional, antes de viajar pelo mundo, de curtir a vida. Ele não é uma garantia de que, a partir do seu surgimento, tudo o mais dará certo. Queremos o amor como pré-requisito para o sucesso nos outros setores, quando, na verdade, o amor espera primeiro você ser feliz para só então surgir diante de você sem máscara e sem fantasia.

É esta a condição.

É pegar ou largar.
Para quem acha que isso é chantagem, arrisco sair em defesa do amor: ser feliz é uma exigência razoável e não é tarefa tão complicada.

Felizes são aqueles que aprendem a administrar seus conflitos, que aceitam suas oscilações de humor, que dão o melhor de si e não se autoflagelam por causa dos erros que cometem.

Felicidade é serenidade.

Não tem nada a ver com piscinas, carros e muito menos com príncipes encantados.

O amor é o prêmio para quem relaxa.

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