Propaganda do Governo do Estado do Piauí

 Decepção

3 de fevereiro de 2020

Desde o começo dos tempos a história nos mostra que os pais sempre se preocuparam com o futuro dos filhos.

No começo de tudo, os filhos tinham que ser fortes e guerreiros para que estivesse sempre próximo aos poderosos e com isso obter vantagens.

Já num passado mais recente os pais encaminhavam seus filhos para cidades distantes em busca de uma formação superior, de preferência medicina, o orgulho maior de qualquer pai.

Os tempos evoluíram, as coisas mudaram e se tornaram mais fáceis.

Hoje os pais podem determinar a carreira que o filho deve seguir. Melhor ainda, o próprio filho pode escolher a carreira que quer seguir. Pode escolher a carreira em que acha que vai ficar rico ou a profissão do coração, aquela que gosta.

Neste ponto retrocedo na memória e volto ao ano de 1972, na minha ainda pequena Água Branca.

Fim de tarde, envergando orgulhosamente minha farda cáqui com quatro estrelas cinzas nos ombros – indicando minha condição de quartanista ginasial – escuto a voz do meu pai a me chamar.

Atendo e na minha frente ele abre um papel que levava nas mãos e me pergunta o que quero ser no futuro.

No papel alguns cursos por correspondência, entre eles jornalismo.

Foi amor a primeira vista. Ali mesmo disse a meu pai que queria ser jornalista. Segui para a escola próxima, mas ainda pude ouvi-lo, não sei se alegre ou abalado pela minha  escolha:

Pois estude!

Realizei meu desejo, minha vontade.

Mas hoje, quase 50 anos depois, sou forçado a me questionar sobre tudo isso.

Agi certo ao ignorar o desejo manifesto do meu pai de ter um filho médico?

Ou fiz certo em seguir o coração e me tornar jornalista numa região onde o estado é o patrão?

Os fatos insistem em mostrar que escolhi o caminho errado, mas não quero acreditar. Tenho que me fazer de turrão; tenho que bater o pé e morder o beiço para mais uma vez acreditar que fiz a escolha certa.

Confesso que está cada vez mais difícil.

Os fatos são teimosos, são insistentes.

Neste episódio dos 400 mil reais para duas pobres festas na Potycabana voltei a fraquejar.

Denunciar tudo isso e não ouvir nem um “oh!” de espanto dos demais é decepcionante.

Se não desabei de vez devo a um punhado de bravos entrincheirados na Teresina FM.

São homens e mulheres que não querem ser melhor do que ninguém, mas o são.

E o são porque honram a profissão que escolheram e abraçaram. Honram o juramento feito em sala de aula.

São bons por que aprenderam que Jornalismo é exatamente publicar aquilo que alguém não quer que se publique.

Não só aprenderam, praticam.

Afinal, o jornalismo, como ensinava Cláudio Abramo, é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter.

Leia também

Contato
  • (86) 99972-0111
  • jornalismo@teresinafm.com.br


Anuncie conosco
  • (86) 98153-2456
  • comercial@teresinafm.com.br
Teresina FM