Mulheres atuavam como “RH do crime” em nove cidades; 29 prisões foram cumpridas só em Teresina
O Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) deflagrou na manhã desta quarta-feira (16) a Operação Sintonia Feminina, com o objetivo de desarticular uma célula do Primeiro Comando da Capital (PCC) que atuava em nove cidades do Piauí. A facção, segundo as investigações, contava com mulheres em funções estratégicas, incluindo a participação em “tribunais do crime” e na gestão de informações internas.

Delegado Charles Pessoa, coordenador do DRACO. (Foto: Reprodução/Instagram)
De acordo com o delegado Charles Pessoa, coordenador do DRACO, o grupo feminino funcionava como um verdadeiro Recursos Humanos do PCC, gerenciando cadastros, cooptando novos membros e prestando apoio logístico aos comparsas. Um dos casos destacados foi o do ‘Casal do Crime’, preso em Altos: enquanto o homem era responsável por execuções e tráfico de drogas, a companheira atuava na retaguarda, organizando toda a operação.
A força-tarefa cumpriu 74 mandados judiciais em Teresina, Parnaíba, Luís Correia, Oeiras, Picos, Canto do Buriti, Monsenhor Gil, Altos e Campo Maior. Só em Teresina, foram 29 prisões realizadas. As investigações duraram mais de um ano e começaram após uma prisão em fevereiro de 2024.
“O PCC organiza suas células como se fosse uma empresa, com núcleos internos como o Cadastro, que funciona como RH, e o Sintonia Feminina, composto por mulheres. Essa estrutura é replicada em todos os estados onde a facção atua”, explicou o delegado Charles Pessoa. Ele ressaltou que o PCC cria uma falsa sensação de pertencimento entre os integrantes, usando promessas de dinheiro e identidade para atrair membros, enquanto os prejuízos reais recaem sobre a sociedade.
As equipes continuam no interior consolidando números de prisões e apreensões. A expectativa é de que a operação enfraqueça significativamente a atuação da facção no Piauí.