Investigação aponta homicídio qualificado, tentativa de homicídio e fraude em seguros de vida que somam R$ 2,5 milhões
A Polícia Civil do Piauí, por meio da Diretoria de Operações Policiais, cumpriu mandado de prisão preventiva contra o tenente da Polícia Militar do Piauí, Alexandre Filipe Tupinambá Silva. O militar já estava detido desde o último dia 18, em razão de uma prisão temporária expedida durante o inquérito que apura a morte do caseiro José de Ribamar, ocorrida em abril de 2023, no sítio do investigado, na comunidade Caju, em Santo Inácio do Piauí.

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Segundo as investigações, José de Ribamar, funcionário do tenente, foi encontrado morto em circunstâncias inicialmente atribuídas a um acidente por descarga elétrica. No entanto, diligências posteriores revelaram indícios de falsificação, ameaças a testemunhas e possível simulação da cena do crime.
A Polícia Civil apura que o militar teria provocado a morte do caseiro com o objetivo de receber um seguro de vida no valor de R$ 1,5 milhão, cujo beneficiário era um advogado amigo do tenente. A família da vítima desconhecia a existência do seguro.
Durante a prisão temporária, novas diligências reforçaram as suspeitas. A equipe identificou um segundo seguro de vida, agora no valor de R$ 1 milhão, contratado em nome de outro funcionário ligado à família da ex-esposa do tenente. Nesse caso, o próprio tenente aparecia como beneficiário.
Depoimentos colhidos apontam que o militar teria planejado também a morte desse segundo trabalhador, simulando mais uma situação de acidente elétrico. O funcionário relatou que o tenente pediu que ele retirasse um suporte de TV e, ao desconfiar da situação, encontrou fios desencapados conectados ao equipamento, o que poderia provocar uma descarga elétrica fatal. A tentativa não se concretizou porque o homem percebeu o risco antes de tocar no suporte.
Com o avanço das investigações, somados os indícios que apontam para homicídio qualificado e tentativa de homicídio motivados por fraude a seguros, a autoridade policial representou pela prisão preventiva do tenente, medida deferida pelo Poder Judiciário e cumprida pela DEOP.
“As investigações continuam, visando ao completo esclarecimento dos fatos e identificação de eventuais outros envolvidos. Pelo que foi apurado, esse tenente é de extrema periculosidade e pode coagir vítimas e até atentar contra a vida de testemunhas”, afirmou o delegado Tales Gomes.