Para a PF, vídeo é indício de que Bacellar avisou a ex-deputado sobre operação policial.
Matéria de Júlia Castelo Branco.
A Polícia Federal (PF) considera um vídeo enviado pelo então deputado conhecido como TH Joias a Rodrigo Bacellar, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), como indício de que Bacellar avisou o ex-deputado sobre uma operação policial na véspera.
O presidente da Alerj recebeu voz de prisão e seu celular foi apreendido. TH foi levado para a PF a fim de prestar depoimento, mas manteve-se em silêncio. Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, foi preso por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, suspeito de negociar armas para o Comando Vermelho (CV). Ele assumiu o mandato em junho, mas deixou de ser deputado após sua prisão.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, expediu o mandado de prisão e afastamento de Bacellar da presidência da Alerj. Ele foi preso pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (3) na Operação Unha e Carne. A prisão ocorreu na Praça Mauá, após Bacellar ser “convidado” para uma “reunião” com o superintendente da PF no Rio, Fábio Galvão, onde recebeu voz de prisão e teve o celular apreendido.

Foto: Reprodução/Globonews
A PF suspeita que Bacellar vazou informações sigilosas da Operação Zargun (setembro), que prendeu o então deputado estadual TH Joias. Segundo Octávio Guedes, Bacellar ligou para TH Joias na véspera (2 de setembro) da Zargun, alertando-o sobre os mandados e instruindo-o a destruir provas.
Em outro vídeo é possível ver um caminhão baú chegando à casa de TH Joias, com dois homens retirando material e colocando no veículo. A PF aponta que o movimento deflagrado foi uma tentativa de se desfazer de documentos e outras provas. TH Joias é investigado por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, suspeito de negociar armas para o Comando Vermelho. Ele foi levado para depoimento, mas permaneceu em silêncio.
O ministro Moraes baseou sua decisão de prisão do deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil) apontando “fortes indícios” de sua participação em uma organização criminosa. Moraes enfatizou a gravidade dos fatos, mencionando que a atuação de Bacellar poderia “potencializar o risco de continuidade delitiva e de interferência indevida nas investigações da organização criminosa”.
Durante a prisão, a Polícia Federal apreendeu R$ 90 mil que estavam no carro em que o deputado dirigiu até a superintendência nesta quarta-feira (3). Em resposta, o advogado de Bacellar, Bruno Borragini, classificou a prisão como “totalmente desproporcional”, argumentando que o parlamentar “não praticou nenhuma conduta ativa” para obstruir as investigações.