O jogo tem sido alvo de críticas por expor menores a conteúdo inadequado e a interações com adultos desconhecidos
Matéria de Júlia Castelo Branco
A recente onda de protestos no “Roblox” contra as novas restrições de comunidade da plataforma reacendeu o debate sobre a segurança e a vulnerabilidade de crianças e adolescentes no ambiente digital.
Em resposta a situação, a Diretoria de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal realizou mil operações no ano passado com foco no combate ao abuso sexual de crianças e adolescentes na internet, resultando em 327 prisões.
A advogada Maraisa Cezarino defende que o foco deve ser a adaptação do ambiente digital para proteger as crianças, e não a remoção delas das plataformas: “O melhor interesse não é retirar as crianças do ambiente, mas fazer o ambiente se adaptar, o ambiente para as crianças. Então, que não sejam elas a saírem das plataformas, mas sim as pessoas que estão cometendo esse ato.”
Ela complementa, traçando um paralelo com o mundo físico: “Estamos falando de um espaço que é público. A gente não larga crianças e adolescentes na rua sozinhos para falar com estranhos maiores que eles, e o mesmo deveria se replicar no mundo digital.”

Foto: Reprodução/Rede social X.
Em uma tentativa de maior proteção, o Roblox implementou globalmente uma nova regra: restringiu o uso do bate-papo para crianças. Agora, os jogadores precisam passar por uma verificação facial de idade e, para menores de 13 anos, o uso só é permitido com a autorização dos responsáveis.
No entanto, as mudanças geraram insatisfação e protestos online, com jogadores, incluindo adultos, criando placas virtuais dentro do jogo para pedir a volta do acesso ao chat. Um desses cartazes, com grande repercussão, fez referência à música ‘Cálice’, de Chico Buarque, conhecida como hino de resistência na ditadura militar.
Renato Cunha, especialista em cibersegurança, prevê que a restrição adotada pelo “Roblox” deve ser um precursor, sendo implementada em breve por outras plataformas. Ele alerta para a necessidade de maior envolvimento parental: “As empresas vão começar a endurecer cada vez mais essas regras contra o abuso infantil, e os pais precisam estar cada vez mais presentes nisso, para evitar que as crianças acessem essas plataformas sem supervisão.
Fonte: SBT News.