Imagens mostram jovem saindo e retornando a condomínio no horário das agressões
Matéria de Júlia Castelo Branco
A Polícia Civil de Santa Catarina divulgou imagens de câmeras de monitoramento que contradizem o depoimento do adolescente investigado pela morte do cão comunitário Orelha, ocorrida no início de janeiro, na Praia Brava. Segundo os investigadores, os vídeos comprovam que o jovem saiu de seu condomínio e retornou após o horário em que o animal foi brutalmente agredido.
De acordo com o inquérito, o adolescente deixou o condomínio por volta das 5h25 do dia 4 de janeiro. O ataque ao cão aconteceu cerca de cinco minutos depois, às 5h30, enquanto as imagens analisadas pela força-tarefa mostram o jovem voltando ao prédio às 5h58, acompanhado de uma amiga.
Em depoimento, o adolescente afirmou que não havia saído do condomínio e que permaneceu na área da piscina durante toda a madrugada. A polícia, no entanto, aponta essa declaração como falsa, já que, além das gravações, testemunhas e outras provas confirmaram que ele esteve fora do local.

Foto: Reprodução/Redes sociais.
As investigações revelam ainda que o adolescente viajou para fora do Brasil no mesmo dia em que a Polícia Civil identificou os suspeitos do crime, permanecendo nos Estados Unidos até 29 de janeiro. Ao retornar ao país, ele foi interceptado no aeroporto.
Durante a abordagem, um familiar teria tentado esconder um boné rosa e um moletom que estavam com o adolescente, peças consideradas fundamentais para a investigação. O familiar alegou que o moletom havia sido comprado durante a viagem, versão desmentida pelo próprio jovem, que admitiu já possuir a roupa e tê-la usado no dia do crime.
Para esclarecer os fatos, a polícia analisou mais de mil horas de imagens de 14 câmeras diferentes e utilizou um software francês de geolocalização, que confirmou a presença do adolescente no local exato das agressões.
O laudo da Polícia Científica apontou que o cão Orelha morreu em decorrência de uma pancada contundente na cabeça. O relatório final do inquérito já foi encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário, com pedido de internação do adolescente investigado.