21/05/2026

Polícia

Mulher que registrou 10 boletins e teve medidas protetivas negadas é morta pelo ex-companheiro em Botucatu

Júlia havia denunciado ameaças e agressões ao longo de cinco anos; crime ocorreu um dia após a Justiça negar novo pedido de proteção

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Publicado por: Eduardo Calado 26/02/2026, 12:02

Matéria de Júlia Castelo Branco

A morte de Júlia Gabriela Bravin Trovão, de 29 anos, escancara uma sequência de denúncias e tentativas frustradas de proteção judicial. A jovem foi assassinada após ser baleada no último sábado (21), em Botucatu (SP).

Ela havia registrado 10 boletins de ocorrência contra o ex-companheiro ao longo dos últimos cinco anos e teve dois pedidos de medida protetiva negados, sendo o mais recente indeferido na véspera do ataque. O principal suspeito do crime é o ex-marido, Diego Sansalone, de 38 anos, que foi preso no domingo (22) e confessou o assassinato.

No momento do ataque, Júlia estava dentro de um carro na Avenida Cecília Lourenção, no Residencial Ouro Verde, acompanhada do atual companheiro, Diego Felipe Corrêa da Silva, de 34 anos, e das duas crianças, um menino de 8 anos, filho dela com o suspeito, e uma menina de 7 anos, filha de Diego Felipe.

Segundo a polícia, o suspeito efetuou diversos disparos contra o veículo. Atingido, Diego Felipe perdeu o controle da direção e colidiu contra um poste. Ele morreu no local. Júlia foi socorrida em estado grave e encaminhada ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na terça-feira (24). As crianças não foram baleadas.

Após os disparos, o suspeito retirou o próprio filho do carro e fugiu com a criança. Ele foi localizado e preso no fim da tarde de domingo, em uma estrada rural entre Botucatu e Pardinho (SP). De acordo com a polícia, não houve resistência e ele confessou o crime. A criança foi entregue à Polícia Civil pelo avô paterno.

 

Foto: Reprodução/Polícia Civil.

 

Os primeiros registros contra o ex-companheiro datam de maio de 2021, quando Júlia denunciou ameaças e injúria. O caso acabou arquivado. Ao longo dos anos seguintes, foram formalizados outros nove boletins, envolvendo acusações de ameaça, injúria, difamação, dano e descumprimento de guarda compartilhada do filho do casal.

Júlia solicitou três medidas protetivas. Apenas uma, concedida em abril de 2022, teve validade de 90 dias. As demais foram negadas, incluindo o pedido feito na sexta-feira (20), um dia antes do atentado.

Em outubro de 2022, Diego Sansalone chegou a ser preso por não pagamento de pensão alimentícia, mas foi liberado após quitar o débito. Segundo familiares e amigos, o suspeito não aceitava o fim do relacionamento, encerrado em 2021, nem o novo namoro da ex-companheira.

Inicialmente, o caso foi registrado como homicídio qualificado, tentativa de feminicídio, tentativa de homicídio contra menores de 14 anos e sequestro. Com a morte de Júlia, a investigação passa a tratar o caso como feminicídio consumado.

Na casa do suspeito, no bairro Recanto Azul, a Polícia Militar encontrou uma caixa de pistola calibre 9 milímetros aberta, com estojos de munição deflagrados. Diego é registrado como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC).

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