Cessar-fogo depende da reabertura do Estreito de Ormuz, enquanto Teerã ainda não confirma participação nas negociações
Matéria por Bianca Rodrigues
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (7) a suspensão temporária das ações militares contra o Irã por um período de duas semanas. A medida ocorre após articulações diplomáticas envolvendo autoridades do Paquistão e foi apresentada como um possível avanço rumo a um acordo mais amplo entre os dois países.

Foto: Reprodução
Segundo Trump, a decisão foi tomada após conversas com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, e o chefe do Exército do país, Asim Munir, que defenderam a interrupção imediata dos ataques para abrir espaço às negociações. O republicano classificou a trégua como bilateral, embora o Irã ainda não tenha se pronunciado oficialmente.
O cessar-fogo está condicionado à reabertura “completa, imediata e segura” do Estreito de Ormuz, considerado estratégico para o transporte global de petróleo. Trump afirmou que os Estados Unidos já teriam alcançado seus principais objetivos militares e indicou que um entendimento definitivo pode estar próximo.
De acordo com o presidente norte-americano, Washington recebeu uma proposta de dez pontos apresentada pelo Irã, vista como uma base viável para avançar nas negociações. Ele também destacou que a maior parte das divergências entre os dois países já teria sido resolvida, restando apenas ajustes finais durante o período de trégua.
A iniciativa ocorre em meio à intensificação dos esforços diplomáticos liderados pelo Paquistão. Mais cedo, Shehbaz Sharif solicitou publicamente a ampliação do prazo para negociações e pediu que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz como sinal de boa vontade. O premiê tem defendido uma estratégia gradual, com cessar-fogo inicial, seguido pela flexibilização no acesso à rota marítima e, posteriormente, um acordo mais abrangente.
Apesar do anúncio, o cenário permanece incerto. Em ocasiões anteriores, tanto os Estados Unidos quanto o Irã demonstraram resistência a propostas de trégua. Autoridades iranianas já criticaram condições consideradas unilaterais e reiteraram que qualquer acordo deve incluir a retirada de sanções econômicas.
A ausência de um posicionamento oficial de Teerã mantém a expectativa em torno dos próximos desdobramentos, enquanto a comunidade internacional acompanha com cautela os avanços diplomáticos na região.