Gestor foi afastado do cargo por 90 dias; celulares apreendidos serão periciados pela Polícia Civil
O prefeito de Pio IX (PI), Silas Noronha (PSD), de 59 anos, foi preso na manhã de hoje (10), suspeito de envolvimento em um esquema de exploração sexual de adolescentes. A prisão ocorreu após o gestor se apresentar à polícia, em Teresina. Além da detenção, a Justiça determinou o afastamento dele do cargo por 90 dias.
Durante a operação, a Polícia Civil do Piauí apreendeu celulares do prefeito, de um sobrinho e de um ex-assessor, que também são investigados. Os aparelhos serão submetidos à perícia como parte das investigações.
Silas Noronha permaneceu em silêncio no primeiro depoimento. Em nota divulgada nas redes sociais, a gestão municipal informou que ele está colaborando com as autoridades. O prefeito também nega as acusações, classificando-as como “caluniosas” e afirmando ser vítima de perseguição política.

Foto: Reprodução
As investigações tiveram início após denúncias feitas por um ex-integrante da campanha do prefeito, identificado como Liedson Alves. Ele afirma ter participado de um esquema de aliciamento de adolescentes de 13 e 14 anos, a pedido do gestor, logo após as eleições de 2024.
Segundo o denunciante, ele era responsável por atrair meninas, geralmente do convívio pessoal e ligadas a famílias próximas à administração municipal. Em troca, receberia pagamento equivalente a um salário mínimo. Ainda conforme o relato, uma das vítimas teria recebido cerca de R$ 1 mil para se encontrar com o prefeito em um motel e, posteriormente, foi ameaçada de morte ao tentar expor o caso.
O sobrinho do prefeito, Samuel Noronha, também citado nas investigações, foi preso na quinta-feira (9), em Pio IX. Na ocasião, equipes policiais já haviam realizado buscas na residência do gestor e apreendido dispositivos eletrônicos.
Paralelamente à investigação policial, o caso também é apurado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Câmara Municipal de Pio IX no dia 31 de março. O colegiado deve ouvir testemunhas e investigados antes de elaborar um relatório final com possíveis encaminhamentos.
As denúncias vieram a público no dia 22 de março, por meio de vídeos divulgados nas redes sociais. Desde então, o caso passou a ser investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).