18/07/2026

Polícia

Aliados de Ciro ligam operação da PF à derrota de Jorge Messias no Senado

Ação da PF ocorre dias após rejeição de Jorge Messias ao STF e alimenta debate político nos bastidores

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Publicado por: Eduardo Calado 07/05/2026, 14:27

A quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira, provocou forte repercussão nos bastidores políticos de Brasília e ampliou a tensão entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.

Ciro Nogueira – Imagem: Divulgação

A operação ocorreu poucos dias após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias ao STF, derrota considerada significativa para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e também para o ministro André Mendonça.

Nos bastidores do Congresso, lideranças do Centrão passaram a questionar o momento da operação. Isso porque Ciro Nogueira era apontado como possível voto favorável à indicação de Jorge Messias, que acabou rejeitada pelo Senado com 34 votos favoráveis, abaixo dos 41 necessários.

A operação autorizada por André Mendonça aumentou ainda mais o debate político, já que o ministro foi um dos principais articuladores da candidatura de Messias dentro do STF. Após a derrota, Mendonça chegou a lamentar publicamente o resultado e classificou o então indicado como “um grande ministro”.

Aliados de Ciro Nogueira passaram a sustentar a narrativa de que a operação teria ocorrido como resposta política à derrota do governo no Senado. A leitura ganhou força pela sequência dos acontecimentos, embora até o momento não exista prova documental que relacione diretamente a investigação ao episódio envolvendo Jorge Messias.

Segundo informações da Polícia Federal, o inquérito relacionado ao Banco Master já reunia elementos considerados robustos contra o senador. Os investigadores apontam supostas vantagens indevidas atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo pagamentos mensais, despesas pessoais e negociações empresariais sob investigação.

Na mesma operação, Felipe Cançado, primo de Vorcaro, foi preso em Minas Gerais.

Interlocutores do STF afirmam que André Mendonça teria obrigação funcional de analisar o pedido da PF e decidir sobre as medidas solicitadas diante do avanço das investigações. Mesmo assim, o calendário da operação passou a dominar as discussões políticas em Brasília.

O episódio também intensificou o clima de tensão entre partidos do Centrão. Lideranças do Progressistas, União Brasil e PL passaram a discutir reservadamente a possibilidade de novas investigações atingirem parlamentares influentes do Congresso.

Além disso, a rejeição de Jorge Messias revelou divisões internas no STF. Nos bastidores, ministros como Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin foram apontados por aliados de Messias como integrantes de uma ala resistente à indicação.

Até o momento, nenhuma autoridade confirmou motivação política na operação autorizada pelo STF. Ainda assim, o caso ampliou o debate sobre a relação entre Judiciário e Congresso em um momento de forte tensão institucional.

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