Investigação apura ocultação de patrimônio, evasão de divisas e conexões entre empresários e agentes públicos no Rio de Janeiro
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro foi alvo, nesta sexta-feira (15), da Operação Sem Refino, deflagrada pela Polícia Federal para investigar supostas fraudes fiscais envolvendo o Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. A ação apura suspeitas de ocultação patrimonial, lavagem de bens e envio irregular de recursos ao exterior.
O empresário Ricardo Magro, dono da companhia, também é investigado. A Polícia Federal pediu a inclusão do nome dele na Difusão Vermelha da Interpol, lista internacional de procurados. Em novembro do ano passado, ele já havia sido alvo da Operação Poço de Lobato, que investigou um suposto esquema de fraudes tributárias estimado em R$ 26 bilhões.

Foto: Rogério Santana / Divulgação Governo RJ
Agentes da Polícia Federal cumpriram mandado de busca e apreensão na residência de Cláudio Castro, localizada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Segundo apuração do g1, o ex-governador acompanhou as buscas ao lado de advogados. Após cerca de três horas, os policiais deixaram o local levando malotes com materiais apreendidos.
A decisão que autorizou a operação partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da chamada ADPF das Favelas, ação que discute regras para operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro e investiga possíveis conexões entre organizações criminosas e agentes públicos.
Além de Castro, também foram alvos de busca o desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador do estado Renan Saad. Ao todo, foram expedidos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de funções públicas.
Segundo as investigações, o Grupo Refit utilizava uma complexa estrutura financeira e societária para reduzir artificialmente o pagamento de impostos e ocultar patrimônio. A suspeita é de que importadoras ligadas ao grupo declaravam informações falsas sobre combustíveis importados para pagar menos tributos.
As autoridades apontam ainda que o combustível abastecia empresas e postos ligados ao mesmo grupo econômico, enquanto fundos de investimento e empresas abertas em sequência eram usados para esconder os lucros reais da operação.

Foto: Reprodução / TV Globo
A refinaria já havia sido alvo de fiscalizações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis por suspeitas de importação irregular, falta de comprovação de refino e uso de tanques sem autorização. O grupo também acumula histórico de disputas judiciais, retenção de navios com combustíveis vindos da Rússia e investigações relacionadas à adulteração de combustíveis.