Mulher trabalhava sem salário desde os 7 anos de idade em condomínio de luxo; créditos trabalhistas superam R$ 1,5 milhão
Uma operação da Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) resgatou uma mulher de 62 anos que vivia em condições análogas à escravidão em um condomínio de luxo em Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza.
A vítima trabalhava para a mesma família desde os sete anos de idade, sem nunca ter recebido salário mensal, férias ou direitos trabalhistas. Segundo a fiscalização, os créditos devidos à trabalhadora ultrapassam o valor de R$ 1,5 milhão.
A rotina da idosa começava diariamente às 4h30 da manhã, envolvendo o preparo de refeições, a limpeza da residência e o cuidado das crianças. Ao longo de mais de cinco décadas, ela passou por três gerações da mesma família. Enquanto os filhos dos empregadores tinham acesso à educação formal, a vítima foi privada de oportunidades educacionais e de autonomia financeira.

Foto: Reprodução / G1 Ceará
“Foi dada pela mãe”, relatou a empregadora à Auditoria-Fiscal do Trabalho, explicando como a vítima, ainda criança em 1971, chegou à família junto com uma irmã, que deixou o local na adolescência. Após a fiscalização, os empregadores assinaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT).
No documento, comprometeram-se a regularizar a situação previdenciária da vítima, pagar R$ 50 mil em verbas rescisórias e adquirir um imóvel residencial para ela. Atualmente, a mulher recebe acompanhamento psicossocial para se adaptar à vida fora da residência, onde temporariamente ainda permanece.
A investigação também apontou indícios de fraude contra o Estado. A empregadora teria auxiliado a idosa a se cadastrar no Programa Bolsa Família como “unifamília” e desempregada, realizando os saques dos R$ 600 mensais para depois repassá-los à vítima. Um relatório sobre o caso será encaminhado às autoridades competentes para apurar a possível irregularidade.