Trump declara o país venezuelano “Completamente Cercado”.
Matéria de Júlia Castelo Branco.
O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, anunciou ontem (16) um “bloqueio total e completo” a petroleiros venezuelanos que fossem alvo de sanções, seja entrando ou saindo do país. Trump utilizou suas redes sociais, como o Truth Social, para acusar a Venezuela de “roubar” petróleo e terras dos norte-americanos, declarando que o país sul-americano está “completamente cercado”.
Trump justificou a medida classificando o regime de Nicolás Maduro como uma “organização terrorista estrangeira”, citando “roubos de nossos bens”, terrorismo ligado a drogas, contrabando de entorpecentes, tráfico de pessoas e alegou que Maduro usa o petróleo para financiar um “regime ilegítimo” e atividades ilícitas.
O presidente dos EUA também afirmou que o cerco à Venezuela é feito “pela maior armada já reunida na história da América do Sul” e que esta só aumentará. “O choque para eles será como nada que já tenham visto até que devolvam aos Estados Unidos todo o petróleo, terras e outros bens que roubaram de nós”, escreveu.

Foto: Divulgação/Getty Imagens.
Desde agosto que os EUA intensificaram a presença militar no Caribe, inicialmente justificando a operação como parte do combate ao tráfico internacional de drogas. Segundo o site Axios, 18 embarcações sancionadas pelos EUA estariam em águas venezuelanas no momento do anúncio. Como resposta, o governo da Venezuela considerou a decisão de Trump como uma “ameaça grotesca” e “absolutamente irracional”.
A tensão subiu após a interceptação e apreensão do navio petroleiro “Skipper” pelas forças militares dos EUA no Mar do Caribe em 10 de dezembro. O navio, que já havia sido alvo de sanções em 2022 por suspeita de contrabando de petróleo, navegava com uma bandeira falsamente atribuída à Guiana.
O presidente Nicolás Maduro reagiu duramente à apreensão do navio, que transportava 1,9 milhão de barris de petróleo, chamando a ação de “pirataria naval criminosa”, ele afirmou que os EUA “sequestraram os tripulantes, roubaram o barco e inauguraram uma nova era, a era da pirataria naval criminosa no Caribe”.
Três dias depois, um levantamento da agência Reuters indicou que a ação gerou uma queda brusca nas exportações da Venezuela, resultando na restrição de cerca de 11 milhões de barris de petróleo e combustível em águas venezuelanas. O cenário se insere em um contexto mais amplo de evasão de sanções.
A empresa de inteligência financeira S&P Global estima que 1 em cada 5 petroleiros no mundo seja usado para contrabandear petróleo de países sob sanções, uma prática também utilizada por nações como Rússia e Irã.
Fonte: G1.