Investigação revela esquema de coação, uso de documentos falsos em motéis e a conivência de familiares das vítimas
Matéria de Júlia Castelo Branco
A prisão de um piloto de avião em São Paulo trouxe à tona um grave caso de violência sexual contra adolescentes, investigado pela polícia. O programa Fantástico teve acesso exclusivo aos detalhes da apuração, que aponta que o suspeito se aproximava das famílias das vítimas para conquistar confiança antes de cometer os crimes.
Sérgio Antônio Lopes, de 62 anos, foi detido durante uma operação realizada no aeroporto de Aeroporto de Congonhas. Policiais se posicionaram em diferentes pontos do terminal até localizá-lo na cabine da aeronave. Após a abordagem, ele foi levado à delegacia instalada no próprio aeroporto, onde prestou depoimento.
Durante o interrogatório, o piloto admitiu ter se relacionado com menores e apresentou conteúdos armazenados no celular. Questionado sobre um dos registros, afirmou que a gravação teria ocorrido em um motel na cidade de Suzano, na Grande São Paulo. Segundo a investigação, ele utilizava documentos verdadeiros de mulheres adultas para entrar nos estabelecimentos e orientava as vítimas a usarem acessórios que dificultassem a identificação.

Foto: Reprodução/TV Globo.
A delegada responsável pelo caso afirmou que diversas adolescentes relataram ter sido coagidas a participar dos atos e das gravações, mesmo sem consentimento. Os depoimentos foram colhidos na Delegacia de Repressão à Pedofilia e, de acordo com a polícia, coincidem com registros de deslocamento do suspeito.
Apesar de morar em Guararema, o piloto viajava com frequência para a capital paulista, principalmente por conta do trabalho nos aeroportos. A polícia acredita que ele aproveitava essas viagens para se aproximar das vítimas e que parte das provas era transportada durante esses períodos.
A companhia aérea para a qual trabalhava confirmou a demissão do piloto. Em nota, a defesa informou que o processo corre sob segredo de justiça e que acompanha o caso com discrição.
Além do piloto, uma mulher de 53 anos, avó de duas adolescentes, foi presa suspeita de permitir e facilitar os encontros. Outra investigada também foi detida em flagrante por armazenar imagens envolvendo crianças e adolescentes. Ambas ainda não têm advogado constituído.