Prefeito critica qualidade do serviço e questiona redução da frota mesmo com repasses maiores
O prefeito de Teresina, Silvio Mendes (União Brasil), afirmou que vai acionar judicialmente empresas do transporte público para investigar a deterioração de ônibus do sistema eficiente. A medida foi anunciada após o Setut pedir elevação do subsídio mensal para R$ 11 milhões, em meio a divergências sobre a situação do serviço na capital.
A gestão municipal endureceu o discurso diante da solicitação do setor empresarial e deixou claro que não pretende ampliar os repasses sem mudanças no funcionamento do sistema. Para o prefeito, o serviço prestado atualmente não atende de forma adequada a população.

O prefeito de Teresina, Silvio Mendes (União Brasil) (Foto: Wanderson Camêlo/Teresina FM)
O Setut sustenta que enfrenta dificuldades financeiras e operacionais. Segundo o sindicato, a frota em circulação é inferior à prevista em contrato, com apenas sete veículos disponíveis, o que compromete o atendimento da demanda. A entidade também aponta atraso de cinco meses nos pagamentos e redução no valor do subsídio por passageiro.
Mesmo assim, Silvio Mendes contestou os argumentos apresentados e cobrou esclarecimentos sobre a diminuição dos ônibus em operação, apesar do aumento nos recursos destinados ao sistema.
“Foi feito um acordo judicial de um subsídio de R$ 4 milhões e 650, nós aumentamos para R$ 6 milhões e mesmo assim não houve melhora. Houve redução dos ônibus. Eu quero saber quantos ônibus deixaram de circular e por que isso aconteceu. O dinheiro foi mantido e a frota diminuiu, então isso precisa ser explicado para a população”, disse.
O prefeito também rebateu justificativas relacionadas aos custos, como o preço dos combustíveis, e destacou a perda de espaço do transporte coletivo na cidade, que hoje representa cerca de 11% dos deslocamentos, bem abaixo dos índices anteriores.
Outro ponto enfatizado por ele foi a situação dos veículos do transporte eficiente. De acordo com o gestor, os ônibus pertencem ao município e teriam sido sucateados após serem repassados à iniciativa privada.
“Os ônibus pertencem à Prefeitura de Teresina. Eles foram entregues ao setor privado e sucateados. Nós estamos levantando o que aconteceu e vamos entrar com ação criminal para ressarcimento. Não basta pedir subsídio, é preciso explicar o que foi feito com o patrimônio público”, declarou.
A discussão acontece em meio a alterações recentes na operação do sistema. A Strans recolheu veículos da empresa responsável e transferiu a execução do serviço para outra integrante do consórcio, após identificar problemas na operação e na conservação da frota.
Em nota, o Setut negou qualquer irregularidade e atribuiu à Prefeitura a responsabilidade pela situação. Segundo a entidade, “quem errou foi a prefeitura que não providenciou a retirada dos veículos inservíveis”.
Com informações da Cidade Verde