Auditoria identificou causas técnicas do colapso e afirma que Teresina precisa ampliar subsídios para ter um serviço de qualidade
O presidente do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), Joaquim Kennedy Nogueira Barros, afirmou que uma auditoria realizada pelo órgão identificou as causas estruturais do colapso do transporte coletivo de Teresina e defendeu uma atuação conjunta entre o Governo do Estado e a Prefeitura para viabilizar a recuperação do sistema.
Segundo Kennedy, o estudo técnico foi iniciado em 2023, quando assumiu a presidência do tribunal, com o objetivo de investigar as origens da crise e não apenas seus efeitos.
A auditoria analisou o funcionamento do sistema desde 2014 e apontou que houve investimentos corretos em corredores exclusivos, terminais e paradas de ônibus, mas que a implantação do novo modelo coincidiu com a pandemia da Covid-19, o que impediu um teste real da operação.

Presidente do TCE-PI na rádio Teresina FM. Foto: Júlia Castelo Branco
O presidente destacou ainda que a principal dificuldade atual é a redução contínua da bilhetagem, enquanto os custos operacionais permanecem elevados. De acordo com os dados apresentados, o sistema arrecada cerca de R$ 9 milhões por mês, mas tem despesas em torno de R$ 14 milhões, tornando inviável a manutenção de um serviço com maior frequência, conforto e ar-condicionado.
Kennedy também citou fatores que contribuíram para a queda de passageiros, como o crescimento de aplicativos de transporte, a integração tarifária e as gratuidades concedidas por lei. Para ele, a solução passa pelo aumento do subsídio público, a exemplo do modelo adotado no metrô de Teresina, e por medidas de apoio do Estado, como a isenção de IPVA para ônibus e o custeio das passagens gratuitas.
Ao final, o presidente afirmou que a Prefeitura enfrenta limitações fiscais e que o desafio do transporte coletivo exige cooperação institucional para evitar o agravamento da crise.