A fiscalização abrangeu o período de 2023 a 2025
O Tribunal de Contas do Piauí (TCE-PI) concluiu auditoria (TC/005653/2025) que apontou deficiências relevantes e fragilidades estruturais no gerenciamento de bens públicos conduzido pela Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (SESAPI) por Organizações Sociais de Saúde (OSS) contratadas para gestão de hospitais estaduais. A fiscalização abrangeu os exercícios de 2023 a 2025.
O levantamento, conduzido pela Divisão de Fiscalização da Saúde (DFPP 2), focou no controle patrimonial de oito unidades hospitalares: Hospital Estadual Dirceu Arcoverde – HEDA (Parnaíba), Novo Hospital Regional de Picos – NHRP, Hospital Regional Justino Luz – HRJL (Picos), Hospital Regional Tibério Nunes – HRTN (Floriano), Hospital Regional Manoel Sousa Santos – HRMSS (Bom Jesus), Unidade Integrada do Mocambinho – UIM (Teresina), Hospital Regional Chagas Rodrigues – HRCR (Piripiri), e Hospital Regional de Campo Maior – HRCM.

Prédio do Tribunal de Contas do Piauí (Foto: Wanderson Camêlo/Teresina FM)
A auditoria evidenciou que os processos de transferência, registro e fiscalização dos equipamentos e mobiliário foram executados de forma precária. A transferência dos bens públicos da SESAPI e dos hospitais estaduais às OSS foi realizada, em diversas unidades, sem a formalização e anexação dos Termos de Permissão de Uso de Bens Móveis e dos inventários completos, contrariando as cláusulas contratuais.
Além disso, em hospitais como o HEDA e HRCM, os inventários anexos aos contratos se mostraram parciais e incompletos, com exclusão de mobiliário e outros itens administrativos.
Verificou-se ainda fragilidades no controle patrimonial, vez que as OSS não estavam promovendo o tombamento (patrimonialização pública) dos bens adquiridos com recursos dos contratos no prazo estabelecido (5 dias úteis). Inspeções in loco revelaram alto índice de desorganização e perda de controle sobre os ativos sob a guarda das Organizações.
A equipe de fiscalização e a SESAPI estiveram em contato durante toda a condução da auditoria. A secretaria apresentou, antes da conclusão da auditoria, plano de ação preliminar por meio do qual se comprometeu informalmente a sanar as fragilidades detectadas, estabelecendo ações e prazos para correção dos pontos listados.
Merecem destaque, dentre as ações pactuadas, as rotinas para padronização de documentos, validação de inventários, fiscalização documental e presencial periódica, além de potenciais revisões contratuais para formalizar e esclarecer responsabilidades.
O pleno do tribunal considerou que as falhas afrontam princípios constitucionais como a legalidade e a eficiência. O TCE-PI determinou, em razão do exposto, a formalização e publicação do Plano de Ação elaborado pela SESAPI. Além disso, com o objetivo de assegurar o efetivo fortalecimento da governança patrimonial nas unidades hospitalares sob gestão de Organizações Sociais de Saúde, foi determinado o monitoramento, pela Divisão de Fiscalização da Saúde (DFPP 2), da execução das medidas previstas no plano de ação.
Fiscalização das unidades de saúde estaduais
O acórdão nº 426/2025 do pleno, relatado pela Conselheira Waltânia Alvarenga, acolheu o relatório e determinou a imediata implementação de um plano de ação para sanar as irregularidades. O Tribunal de Contas divulgou as informações esta semana.
Com informações do TCE-PI